Táticas da nova corrida espacial

Os projetos de nave espacial são tão variados quanto as origens das equipes, e eles se utilizam de tecnologias estabelecidas e inovadoras.

Táticas tradicionais
Muitas equipes utilizaram táticas tradicionais, baseando seus foguetes suborbitais na tecnologia desenvolvida no início da década de 1940. Um design popular copiado foi o do German V-2 (em inglês), um foguete da Segunda Guerra Mundial que era lançado verticalmente do solo para a estratosfera para que não fosse detectado e destruído por aeronaves inimigas: o primeiro míssil balístico guiado do mundo. As equipes que escolheram esse modelo para suas naves espaciais, como a Canadian Arrow (em inglês), foram forçadas a fazer alguns ajustes importantes para cumprirem as exigências do concurso: primeiramente, o foguete tinha de ser grande o suficiente para transportar três pessoas e suficientemente seguro para garantir a volta de seus tripulantes à Terra a salvo. Para cumprir essa exigência, algumas equipes separaram o foguete do veículo de lançamento, transformando o lançamento em um evento de dois estágios. O primeiro estágio envolvia erguer a nave do solo impulsionada pelo motor do foguete principal. Durante o segundo estágio, a cabine da nave espacial se desengatava da parte inferior, impulsionada por seus próprios motores para a subórbita. No caso da equipe Canadian Arrow, as duas partes foram equipadas com pára-quedas para facilitar o pouso.

Ousadia
As equipes mais bem sucedidas no concurso seguiram um caminho ligeiramente diferente. Usando o fundamento lógico de que o lançamento da superfície da Terra é duas vezes mais difícil do que o lançamento em grandes altitudes, as equipes Scaled Composites e Da Vinci Project desenvolveram naves espaciais que eram lançadas do céu a partir de um avião de transporte e de um balão de hélio gigante, respectivamente. Esses lançamentos em grande altitude reduzem a quantidade exigida de combustível para o foguete (um fator importante quanto se trata de manter peso e custo baixos) porque o foguete precisa percorrer uma distância mais curta para atingir a subórbita, e o ar rarefeito fornece menos resistência do que o ar da superfície da Terra. A SpaceShipOne, da Scaled Composites, foi lançada de seu avião de transporte White Knight a cerca de 14 quilômetros e se auto-impulsionou para a subórbita. Depois, desligou seus motores por três minutos para visualizar a Terra em condições sem gravidade e, em seguida, caiu de volta na Terra, diminuindo sua descida ao criar arrasto aerodinâmico (confira Como funciona a SpaceShipOne para obter informações detalhadas do vôo).


Foto cedida Scaled Composites, LLC
SpaceShipOne conectada à parte inferior de seu veículo de lançamento (seguido por outra aeronave)

A equipe Da Vinci Project usou uma abordagem ligeiramente diferente, liberando sua espaçonave de um balão de hélio reutilizável ao atingir 24 quilômetros, quando os motores foram acionados. Como impulsionar o foguete diretamente para cima destruiria o balão (desclassificando a entrada), a nave guiada por GPS primeiro foi projetada em um ângulo de 75° para se afastar do balão e depois mudou para uma trajetória de 90° para ir diretamente para a subórbita. A cabine então se separou da parte inferior e, após três minutos de ausência de gravidade e de uma visão incrivelmente inspiradora, voltou à Terra usando pára-quedas em ambas as seções para desacelerar a queda.


Foto cedida Ansari X Prize
O balão de lançamento da equipe Da Vinci

Esforços inovadores
Alguns dos projetos mais exclusivos não passaram do estágio de teste de vôo. A American Discraft (em inglês) de Portland, Oregon, teve a idéia de criar um "veículo aeroespacial movido a ondas hipersônicas" de 30,5 metros de diâmetro: um disco voador. Na teoria, a nave (chamada de Turista Espacial) decolaria horizontalmente de uma pista a 97 km/h por hora, criando sucção ao longo da superfície e sendo então impulsionada para o ar através do sistema de exaustão da nave para criar propulsão e direção.

Na próxima seção, veremos os desenvolvimentos futuros e o que pode surgir dos esforços dos participantes do Ansari X Prize.