Disco dourado da Voyager

Quando a Nasa percebeu que as Voyagers provavelmente viajariam além das fronteiras do nosso sistema solar, decidiu que talvez fosse uma boa ideia incluir um tipo de mensagem a qualquer alienígena inteligente que viesse a encontrá-las um dia. Um comitê, chefiado pelo astrônomo Carl Sagan, reuniu essas mensagens. Elas estão guardadas em discos de cobre laminados a ouro, gravados como um disco de vinil. Parte do disco contém informações de áudio, incluindo uma variedade de músicas, saudações em 55 idiomas diferentes (incluindo alguns que são muito obscuros ou extintos) e uma seleção de sons da natureza. Além disso, incluem 122 imagens codificadas com vibrações no disco com instruções para decodificação.

Em cada chapa do disco, estão vários símbolos que explicam o método de reprodução da gravação (uma agulha e uma placa de montagem também estão incluídos). As instruções para decodificação das imagens são reveladas, descrevendo o sinal "iniciar imagem", a proporção das imagens e uma reprodução da primeira figura para que os alienígenas saibam se fizeram certo. Um mapa estelar mostrando nitidamente a localização da Terra completa a imagem.

Se os alienígenas quiserem saber por quanto tempo a Voyager que eles acharam viajou, eles poderão examinar a peça de urânio-238 acoplado ao veículo principal, perto do disco. Examinando as relações isotópicas (assumindo-se que eles conheçam a meia-vida do urânio-238) poderão deduzir por quanto tempo a amostra esteve no espaço.

Que música os alienígenas ouvirão quando reproduzirem a gravação? Em sua maioria, canções tradicionais de várias culturas, como, por exemplo, canções dos americanos nativos, gaita de fole escocesa e música de rituais africanos. Há também uma pequena coleção de "greatest hits" de música clássica. As músicas mais contemporâneas são "Johnny B. Goode", com Chuck Berry, e uma apresentação de jazz com Louis Armstrong.

O disco de ouro é uma apresentação do que é a Terra para um alienígena. Tem de Chuck Berry a dialetos africanos.
Nasa
O disco de ouro é uma apresentação do que é a Terra para um alienígena. Tem de Chuck Berry a dialetos africanos.

As imagens no disco são variadas e incluem mapas da Terra, imagens de outros planetas no nosso sistema solar, de animais e de seres humanos. Carl Sagan escreveu um livro sobre o disco, chamado "Murmurs of Earth". Um CD-ROM foi lançado décadas mais tarde.

Os discos das Voyagers são semelhantes a uma placa que foi colocada a bordo da Pioneer 10 e da Pioneer 11, embora os criadores dos discos da Voyager tenham passado muito tempo para ter certeza de que os alienígenas pudessem decodificá-lo. Muitos cientistas da Terra não conseguiram decodificar as informações contidas na placa da Pioneer. Na época, havia preocupação por parte de algumas pessoas de que alienígenas hostis que encontrassem o disco da Voyager teriam um mapa que os traria diretamente à Terra. No entanto, elas passarão dezenas de milhares de anos no espaço interestelar antes de se aproximarem de qualquer outra estrela, portanto não há com o que se preocupar agora. Se os discos vierem a ser encontrados um dia, isso acontecerá num futuro tão distante que não haverá mais qualquer ser humano.

V'Ger

Em "Jornada nas Estrelas: o Filme" (o primeiro filme da série), grande parte da trama girava em torno de uma estranha forma de vida eletrônica, chamada V'Ger. No final do filme, descobre-se que é uma das sondas espaciais Voyager (Voyager 6, que nunca exisitiu no mundo real) que adquiriu consciência por si só ou a recebeu de uma raça alienígena. Ela quer erradicar toda a humanidade, mas, em vez disso, se transforma em nova forma de vida.

No universo fictício de Jornada nas Estrelas, há uma certa discussão em relação ao lugar da V'Ger na história. Alguns sugerem que ela criou a Borg, uma raça alienígenas fria e lógica que se tornam os principais vilões em "Jornada nas Estrelas: A Nova Geração". Outros acham que os borg encontraram V'Ger, mas que os alienígenas cibernéticos existiram antes do encontro.

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