Apesar do custo completo da missão Voyager ter excedido 750 milhões de dólares, até 1989, as naves espaciais tinham retornado dados científicos suficientes para preencher seis mil edições da Enciclopédia Britânica. [fonte: Evans] Os módulos de ciência a bordo foram escolhidos a partir de propostas enviadas por equipes de pesquisa espalhadas pelos Estados Unidos. As informações sobre Júpiter, Saturno, Urano e Netuno (e várias de suas luas) que recebemos por intermédio das missões Voyager não são vastas apenas em quantidade mas também em influência. Elas passaram a fazer parte dos livros de ciência nas escolas por todos os EUA, transmitiram ao público noções sobre o sistema solar e firmaram a base do programa espacial moderno. Muito do que conhecemos hoje sobre os planetas veio da Voyager. Isso sem falar das milhares de fotografias tiradas de pontos privilegiados que os seres humanos nunca tinham visto antes. Essas extraordinárias imagens de Júpiter e Saturno incendiaram a imaginação do público e trouxeram motivação para futuras explorações espaciais.
Com a Voyager, aprendemos mais sobre o clima em Júpiter, os anéis que envolvem esse planeta e também Saturno e Urano, a atividade vulcânica na lua Io de Júpiter, as massas e as densidades das luas de Saturno, a pressão atmosférica em Titã - a maior lua de Saturno. Além do campo magnético de Urano e um sistema climático persistente em Netuno, tão grande quanto a Terra, conhecido como Grande Mancha Escura. Quando a Voyager 2 chegou a Netuno, era 1989. Mais de 10 anos já haviam se passado desde o lançamento e muitos dos cientistas que trabalharam na missão original haviam sido transferidos. A Voyager havia passado por Júpiter, Saturno e Urano em 1979, 1981 e 1986, respectivamente.
![]() Foto cedida pela Nasa Quando a Voyager 2 passou por Netuno, uma das últimas coisas que ela fotografou foi a lua Triton. Os cientistas ficaram impressionados de ver que essa lua distante tinha uma superfície bastante incomum. Os borrões escuros na parte mais clara da lua são gêiseres de nitrogênio. |
Onde elas estão agora? As duas Voyagers não estão juntas. A Voyager 1 está se movendo para o Norte (em relação à orientação da Terra fora do sistema solar), enquanto a Voyager 2 está se movendo para o Sul. Em 2007, as duas espaçonaves entraram na heliosheath, a parte mais externa do sistema solar. Lá, o vento solar se encontra com campos magnéticos interestelares e forma um limite com uma onda de choque. Elas atravessaram essa onda de choque e retornaram dados, proporcionando aos astrônomos a primeira ideia da forma e da localização da heliosheath.
Embora alguns instrumentos nas Voyagers não estejam mais funcionando, elas continuam a enviar informações importantes. Imagine um carro que esteja na estrada continuamente desde 1977, e você terá uma ideia de quão extraordinárias são essas espaçonaves. Em sua distância atual, os sinais de rádio, viajando na velocidade da luz, demoram mais de 14 horas para atingir a Terra. As naves estão com pouco combustível para seus propulsores de orientação e terão que desligar alguns instrumentos nos próximos anos, quando o plutônio acabar. Até 2020, elas estarão escuras e silenciosas.
Ainda assim, continuarão na sua trajetória atual, deslocando-se a mais de 48.280 km/h, movendo-se em forma de arco em direção à Via Láctea por dezenas de milhares de anos. Sem atmosfera no cosmo, elas nunca ficarão corroídas e falta pouco para entrarem no espaço interestelar. Serão necessários aproximadamente 40 mil anos para que cheguem a anos-luz de outra estrela. As Voyagers podem ficar viajando por centenas de milhares ou milhões de anos.
E se as Voyagers atingirem uma civilização alienígena um dia? Deixaremos uma mensagem para eles.