Ambas as espaçonaves Voyager são idênticas. Elas não têm um desenho liso, aerodinâmico porque não há esse tipo de fricção com que se preocupar no espaço. Pesando 722 quilos, elas são compostas por um veículo principal, uma antena de alto rendimento, três lanças que portam instrumentos científicos e suprimento de energia e também duas outras antenas.
O veículo principal é o corpo da Voyager. Ele é uma caixa de 10 lados com 1,8 m2 e contém alguns instrumentos científicos, eletrônicos e um tanque de combustível para os foguetes propulsores, que são usados para reorientar a nave conforme ele se move através do espaço.Montada no topo do veículo principal, a antena de alto rendimento tem 3,7 m2 e parece uma parabólica de satélite. Através dessa antena as voyagers recebem comandos da Terra e enviam de volta os dados que elas reúnem. Não importa onde a espaçonave voe, a antena de alto rendimento sempre aponta para a Terra.
Uma das lanças se estende para fora do veículo principal e transporta o gerador de radioisótopos termoelétricos. Pílulas de dióxido de plutônio liberam calor por meio de decaimento natural, que é convertido em eletricidade usando uma série de termopares. Embora a saída de energia não seja muito forte, ela alimenta os aparelhos eletrônicos e instrumentos a bordo da Voyager por um tempo extremamente longo. Espera-se que a energia não se esgote completamente até 2020. O gerador foi colocado em uma lança para evitar a interferência da radiação com os outros instrumentos científicos.
As outras duas lanças carregam uma série de instrumentos. Eles incluem:
[fonte: Evans, Dethloff & Schorn]
Talvez os instrumentos mais significativos a bordo das Voyagers, no que se refere ao público, sejam as câmeras. Também montadas na lança de instrumentos, possuem uma resolução de 800x800, com versões de grande angular e campo estreito. As câmeras enviaram de volta fotos sem precedentes dos planetas e nos deram panoramas de nosso sistema solar que nunca foram testemunhados antes (inclusive a famosa foto de partida mostrando a Terra e a Lua no mesmo quadro). A lança que transporta as câmeras pode ser movida independentemente do resto da nave.
O sistema de computadores também foi bastante notável. Sabendo que a espaçonave estaria por conta própria grande parte do tempo, com o retardo entre o comando e a resposta da Terra aumentando na medida em que a nave se distanciava no espaço, os engenheiros desenvolveram um sistema de computador com auto-reparo. Ele tem vários módulos que comparam os dados recebidos e as instruções de saída sobre os quais decidem. Se um módulo difere dos outros, admite-se que está com defeito e ele é eliminado do sistema e substituído por um reserva. Isso foi testado logo após o lançamento, quando um atraso no acionamento da lança foi mal interpretado como um defeito. O problema foi corrigido com sucesso.
Na próxima seção, vamos verificar o que aprendemos com as missões Voyager.
Embora as próprias Voyagers realizem toda a coleta de dados, também há elementos importantes da missão em terra. Os sinais das Voyagers se tornaram cada vez mais difíceis de detectar à medida que elas voavam para dentro do sistema solar exterior, assim a Nasa aproveitou uma rede mundial de estações receptoras de rádio para detectá-los melhor. Uma série de antenas parabólicas de rádio de 70 m detectam os dados da Voyager e enviam sinais para ela, mantendo comunicação quase contínua. [fonte: Evans] |