por
Jacob Silverman - traduzido por HowStuffWorks Brasil
Introdução
Em agosto de 2007, a Associated Press publicou um artigo afirmando que, em no máximo 10 anos, os cientistas terão criado vida artificial, e provavelmente, no mínimo, em três. Isso seria possível? Os cientistas fizeram grandes avanços no seqüenciamento de genomas humanos e de animais, sintetizando o
DNA e
clonando-o. Criar organismos biológicos funcionais e artificiais parece representar um tremendo salto acima de qualquer uma dessas habilidades. Alguns dos pesquisadores e das empresas envolvidos na pesquisa sobre vida artificial acreditam, porém, que isso é realmente possível em um período de 10 anos. Não apenas isso: eles dizem que o desenvolvimento de
realidade úmida, como muitas vezes é chamada, irá afetar radicalmente nossas opiniões em relação à vida biológica e ao nosso lugar no universo.
Galeria de imagens de clonagem (em inglês)
 Fotógrafo: Sebastian Kaulitzki | Agência: Dreamstime.com Criar uma membrana celular funcional tem sido, desde o início , um dos principais desafios para a criação de vida artificial |
As afirmações sobre a criação iminente de vida artificial podem ser audaciosas demais. Entre os céticos, o chefe do Projeto Genoma Humano, Francis Collins, diz que o período de 10 anos é muito ambicioso. Mesmo assim, a possibilidade de criar vida artificial é muito atraente e vamos saber mais sobre o assunto neste artigo.
A realidade úmida não é a criação de um organismo geneticamente construído ou modificado. É a vida criada inteiramente a partir de partes básicas. Como vimos no artigo sobre vida estranha, porém, os cientistas não têm uma definição rigorosa e padronizada do que é a vida. Mesmo assim, os biólogos têm algumas idéias básicas sobre o que caracterizaria a vida artificial.
Cada vez mais próxima
Geneticistas americanos conseguem desenvolver um ribossomo, organela celular responsável por produzir as proteínas que executam tarefas essenciais para todas as formas de vida.
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Primeiro, a vida artificial precisa ter um DNA ou código genético. Ela também deve ser capaz de se reproduzir e transmitir seu código genético. Então, a forma de vida precisa de um lugar para depositar seu código genético, um invólucro ou membrana protetora, parecida com uma parede
celular, que mantém o DNA e as outras partes juntas. A parede celular também deve permitir que processos biológicos normais sejam realizados. Em outras palavras, ela deve ser permeável o suficiente para permitir a absorção de nutrientes e relativamente impermeável contra patógenos. Assim que as partes básicas estiverem reunidas, o organismo deve ser auto-sustentável: deve se alimentar e metabolizar o
alimento. Por fim, a forma de vida precisa ter a habilidade de se restaurar para se adaptar e evoluir.
O desenvolvimento de algumas dessas características representa uma série de desafios para os pesquisadores. Um cientista de Harvard, porém, previu nesse mesmo artigo da AP que, até o início de 2007, grandes avanços seriam feitos na criação de membranas celulares [fonte: Associated Press]. Manter um organismo artificial vivo por mais de alguns minutos ou horas também é um desafio, embora os cientistas possam se concentrar no fortalecimento dos organismos depois que alguns dos obstáculos iniciais forem superados.
Para criar o DNA, alguns cientistas defendem a colocação de nucleotídeos (os componentes do DNA) dentro de um invólucro celular. Os nucleotídeos poderiam ser combinados de maneira a formar o DNA. No entanto, conseguir fazer isso é um desafio, já que pode ser necessário que enzimas agrupem os nucleotídeos, o que quebra a regra de "partes básicas" para a criação de vida artificial.
Na próxima seção, vamos saber o que separa os cientistas da criação da vida artificial. Também vamos avaliar esta pergunta: as formas de vida artificial ficarão fora de controle?