Estrutura da Via Láctea

De acordo com o sistema de classificação proposto por Edwin Hubble, a Via Láctea é uma galáxia espiral, ainda que indícios de mapeamento mais recentes apontem para a possibilidade de que seja uma galáxia espiral barrada. A Via Látea tem mais de 200 bilhões de estrelas (total estimado de acordo com sua massa). Seu diâmetro é de cerca de 100 mil anos-luz e o Sol fica a cerca de 28 mil anos-luz do centro galáctico. Se observarmos a estrutura da Via Láctea tal qual apareceria vista de fora, perceberíamos as seguintes partes:

Milky Way illustration
  1. Disco galáctico: a porção em que se localiza a maior parte das estrelas. O disco é composto por estrelas jovens e velhas, bem como por vastos volumes de gás e poeira. As estrelas que ficam no interior do disco percorrem órbitas geralmente circulares em torno do centro galáctico. As interações gravitacionais entre as estrelas fazem com que os movimentos circulares oscilem um pouco para baixo e para cima, como no caso dos cavalinhos em um carrossel. O disco se subdivide nas seguintes porções:

    núcleo: o centro do disco
    bojo: a área em torno do núcleo, que inclui as regiões imediatamente acima e abaixo do plano do disco.
    braços em espiral: áreas que se estendem do centro para fora (nosso sistema solar se localiza em um dos braços espirais da Via Láctea).
  2. Aglomerados globulares: algumas centenas deles se espalham acima e abaixo do plano do disco. Os aglomerados globulares orbitam o centro da galáxia em órbitas elípticas cujas as direções são aleatoriamente espalhadas. As estrelas dos aglomerados globulares são muito mais velhas que as do disco galáctico e eles abrigam poucos gases e poeira.
  3. Halo: trata-se de uma grande região, não muito iluminada, que cerca toda a galáxia. O halo é feito de gases quentes e possivelmente de matéria escura.

Todos esses componentes orbitam o núcleo e são mantidos unidos pela gravidade. Como a gravidade depende da massa, seria possível pensar que a maior parte da massa galáctica se localiza no disco ou perto dele. No entanto, ao estudar as curvas de rotação da Via Láctea e de outras galáxias, os astrônomos concluíram que a maior parte da massa fica nas porções externas da galáxia (como o halo), onde existe pouca luz gerada por estrelas ou gases.

A gravidade da Via Láctea influencia duas galáxias satélites vizinhas: a Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães (em homenagem ao explorador português Fernão de Magalhães). Elas orbitam sob o plano da Via Láctea e podem ser vistas do hemisfério sul. A Grande Nuvem de Magalhães tem cerca de 70 mil anos-luz de diâmetro e fica a 160 mil anos-luz da Via Láctea. Os astrônomos acreditam que a Via Láctea esteja extraindo gases e poeira dessas galáxias satélites.

Quantas estrelas a Via Láctea de fato contém? Demonstraremos a fórmula na próxima página.