Problemas com a velocidade da dobra espacial

Então, Einstein ajudou os escritores de "Jornada nas Estrelas" a manipular o espaço em um universo de ficção científica, mas é mesmo possível construir uma espaçonave que possa enviar pessoas pelas enormes galáxias em um período relativamente curto?

A redenção de um artista de uma nave que viaja à velocidade da dobra espacial.
Les Bossinas/NASA
A representação de um artista de uma nave que viaja à velocidade da dobra espacial

O físico Miguel Alcubierre sugeriu o uso da famosa "matéria exótica", um tipo teórico de matéria com energia negativa. Se pudesse ser descoberta ou criada, a matéria exótica faria o trabalho de repelir o tempo e o espaço e criar o campo gravitacional.

Infelizmente, por mais longe que as possíveis fontes de combustível possam chegar, há mais problemas que soluções quando falamos sobre o conceito de fornecer energia à velocidade da dobra espacial. Mesmo que a Enterprise viajasse a velocidades abaixo da luz, conhecidas como propulsão de impulso pelos fãs de "Jornada nas Estrelas", a quantidade de combustível e energia necessária para viajar rapidamente pelo espaço seria demasiada para uma única nave. Essa propulsão da Enterprise é alimentada por fusão nuclear, o mesmo tipo de reação que ilumina o Sol e cria grandes explosões de certas bombas nucleares. De acordo com o Dr. Lawrence Krauss, físico teórico e autor de "A física de Jornada nas Estrelas", se o Capitão Kirk quisesse viajar à metade da velocidade da luz (150 mil quilômetros por segundo), a nave precisaria queimar 81 vezes sua massa em hidrogênio, o combustível usado para uma fusão nuclear. O manual técnico de "Jornada nas Estrelas: Segunda Geração" cita a Enterprise com um peso de mais de 4 milhões de toneladas métricas, daí, a nave precisar de mais de 300 milhões de toneladas métricas de hidrogênio para se deslocar. Para reduzir e parar, a nave precisaria de outros 300 milhões de toneladas métricas de combustível, e uma possível viagem pelas galáxias precisaria de 6.642 vezes a massa da "Enterprise".

Algumas pessoas propuseram um sistema em que um dispositivo coletasse hidrogênio conforme a nave se movesse, precedendo a necessidade de armazenar grandes quantidades de combustível, mas Krauss diz que esse dispositivo teria que ter 40 quilômetros de largura para capturar algo que pudesse usar. Mesmo que o hidrogênio seja o elemento mais abundante na galáxia, existe aproximadamente só um átomo de hidrogênio para cada centímetro quadrado cúbico.

Fazer a dobra espacial funcionar seria outro problema. O sistema da dobra espacial em "Jornada nas Estrelas" retira sua energia ao reagir a matéria com a antimatéria - o resultado é a completa destruição e a liberação da energia pura. Como a antimatéria não é muito comum em nosso universo, a Federação teria que produzi-la, algo que podemos ver hoje no Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab) em Illinois. Novamente, o problema volta ser a questão da quantidade de combustível necessário para acionar o sistema da dobra espacial. Kruass diz que Fermilab é capaz de produzir 50 bilhões de antiprótons em uma hora - suficiente para produzir 1/1000 de um watt. Seriam necessários 100 mil Fermilabs para acender uma única lâmpada. Produzir antiprótons suficientes para distorcer o continuum espaço-tempo parece quase impossível com a tecnologia atual disponível.

Embora exista pouca chance, durante esse século, de as pessoas desenvolverem uma nave que possa distorcer o espaço e viajar a galáxias distantes mais rápido que a velocidade da luz, isso não fez com que os cientistas e os fãs da série deixassem de imaginar como seria. Em novembro de 2007, a Sociedade Interplanetária Britânica reuniu vários físicos para uma conferência chamada "Mais rápido que a luz: quebrando as barreiras das distâncias interestelares" [fonte: Guardian (em inglês)].

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