A Terceira Lei de Newton

Autor: 
John Fuller

Hulton Archive/Getty Images
"Jornada nas Estrelas" tinha William Shatner como o Capitão James T. Kirk, mas o que eles iriam fazer sobre as viagens intergalácticas?

Quando os escritores de "Jornada nas Estrelas" sentaram para planejar a série, eles se deram conta de vários problemas. Estavam praticamente criando uma ópera espacial, um subgênero da ficção científica que acontece no espaço e abrange a dimensão de várias galáxias e milhões de anos-luz.

Os filmes de "Guerra nas Estrelas" são outro exemplo do subgênero de ópera espacial. Como o nome "ópera" sugere, um programa como "Jornada nas Estrelas" não significa ser lento ou comum - quando as pessoas pensam em séries, provavelmente pensam nos melodramas que envolvem alienígenas, viagens espaciais e lutas com laser.

Então, o criador da série, Gene Roddenberry, e os demais escritores tiveram que descobrir uma maneira de mover as personagens pelo universo de modo dramático e em tempo hábil. Ao mesmo tempo, queriam fazer o melhor possível para se manter fiel às leis da física. O maior problema era que, mesmo que uma espaçonave pudesse viajar na velocidade da luz, o tempo de viagem de uma galáxia a outra poderia ainda levar centenas, e até milhares, de anos. Uma viagem da Terra ao centro de nossa galáxia levaria, por exemplo, cerca de 25 mil anos, se viajasse somente na velocidade da luz. Com certeza, isso não chamaria a atenção na televisão.

A invenção da velocidade da dobra espacial resolveu parte do problema da ópera, já que permitiria que a Enterprise voasse muito mais rápido que a velocidade da luz. Mas qual era a explicação? Como eles poderiam explicar um objeto que voasse mais rápido que a velocidade da luz, algo que Einstein provou ser impossível na sua Teoria de Relatividade Especial?


Quando essa nave entrar em órbita, ela viajará a aproximadamente 27 mil quilômetros por hora.
Foto cedida por Eliot J. Schechter/Getty Images
Quando essa nave entrar em órbita, ela viajará a aproximadamente 27 mil quilômetros por hora. As pessoas podem suportar essa velocidade nesse tipo de nave, mas se ela tentasse se aproximar da velocidade da luz, o efeito poderia ser fatal para os astronautas.

O primeiro obstáculo que os escritores enfrentaram foi muito mais simples do que você imagina. Uma das coisas mais importantes que você precisa saber antes de começar a entender a velocidade da dobra espacial é uma das mais velhas armadilhas nos livros de física, a Terceira Lei de Newton (ação e reação). Provavelmente, você já ouviu falar dessa lei, que diz que para toda ação, sempre há uma reação igual e oposta. Isso significa que para cada interação entre dois objetos, existem duas forças agindo sobre eles. Por exemplo, se você rolar uma bola de bilhar em direção a outra que esteja parada, as duas exercerão a mesma força uma sobre a outra. A bola em movimento vai bater na bola em repouso e empurrá-la, mas ela também será empurrada para trás.

Você percebe essa lei sempre que acelera o carro ou voa de avião. Como o veículo aumenta a velocidade e se desloca para frente, você sente a pressão no seu banco. O assento está empurrando você, mas você também está exercendo uma força contra ele.

Então, o que isso tem a ver com "Jornada nas Estrelas" e a Enterprise? Mesmo que fosse possível acelerar à metade da velocidade da luz, essa aceleração intensa mataria uma pessoa esmagando-a no assento.
­ Mesmo que fizesse a força contrária, a sua massa, comparada à da nave, seria muito pequena - o mesmo acontece quando um mosquito bate no pára-brisa e respinga. Então, como a Enterprise poderia ir mais rápido que a velocidade da luz sem matar sua tripulação?

Na próxima seção, veremos como os criadores de "Jornada nas Estrelas" começaram a contornar o problema de enviar objetos ao espaço à velocidade mais rápida do que a luz.