Introdução - a retomada da construção de Angra
Paralisada em 1986, a construção da usina nuclear Angra 3 começa a ser retomada depois da aprovação prévia do licenciamento ambiental que aconteceu em julho de 2008.
Nesta e nas próximas páginas, você vai conhecer um pouco dos aspectos técnicos das únicas nucleares brasileiras, além de um pouco da história do programa nuclear brasileiro. Vamos começar pela retomada das obras de Angra 3.
A retomada
 Divulgação: Eletronuclear Esta é a área onde vai ficar a usina nuclear Angra 3
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Em sua Resolução nº. 3 de 25 de junho de 2007, o
Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) determinou que a
Eletrobrás e a
Eletronuclear conduzissem a retomada da construção de Angra 3, que teve as obras paralisadas em 1986. A mesma resolução estabeleceu que o
Ministério de Minas de Energia (MME) providenciasse, por meio de consultoria independente, uma avaliação da estrutura e dos componentes dos custos de operação de Angra 3, visando a definição da tarifa de geração de energia elétrica. Tais diretivas provocaram as seguintes linhas de ações:
1)
Reavaliação dos custos para a conclusão do empreendimento: o MME contratou a consultora suíça
Colenco Power Engineering AG., cujo relatório final foi emitido no mês de dezembro de 2007. A Colenco, em sua conclusão, chegou a valores bem próximos – cerca de 1% de diferença – em relação à avaliação da Eletronuclear,
R$ 7,3 bilhões.
Licença para Angra 3
Ibama assina licença de instalação definitiva para a obra da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro.
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2)
Revisão do Estudo de Viabilidade para Angra 3: foi criado um Grupo de Trabalho Eletrobrás/Eletronuclear, com acompanhamento da Casa Civil da Presidência da República e do MME, com o intuito de revisar os cálculos estimativos da tarifa de equilíbrio para a energia a ser gerada por Angra 3. Oficialmente, ainda não foi divulgado o preço da tarifa.
3)
Apreciação legal dos contratos existentes para Angra 3: A Eletronuclear elaborou um relatório gerencial abordando os pontos relevantes de cada contrato e encaminhou ao Grupo de Trabalho composto por representantes da Casa Civil, MME e Eletrobrás. O assunto encontra-se em apreciação.
Licenciamento AmbientalDe acordo com a legislação ambiental estabelecida em 1986 pelo
Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), dependem de licenciamento ambiental: a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades que utilizem recursos ambientais, considerados efetiva ou potencialmente poluidores, ou ainda capazes de causar degradação ambiental.
O Licenciamento Ambiental tem por base o
Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e respectivo
Relatório de Impacto no Meio Ambiente (Rima). O Estudo identifica os possíveis impactos ambientais, socioculturais e econômicos que possam resultar da instalação do empreendimento, e propõem medidas mitigadoras, bem como compensatórias, aos mesmos.
No dia 23 de julho de 2008 o Ibama concedeu a
Licença Prévia da Usina Angra 3, a primeira parte do processo. Para a obtenção da Licença de Instalação, será necessário que a Eletronuclear obtenha aprovação do Ibama para o seu
Plano de Cumprimento das Condicionantes e Exigências relativas ao Licenciamento Ambiental, com as imposições da Licença Prévia. São
60 exigências do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), entre elas, monitoramento ambiental independente, depósito definitivo para rejeitos, obras de saneamento básico no município, gestão do
Parque Nacional da Serra da Bocaina e financiamento de estudos sobre possíveis efeitos da radiação pela
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
A terceira e última etapa é a obtenção da Licença de Construção da CNEN. A empresa deverá cumprir todas as exigências que vêm sendo formuladas pelo órgão licenciador no tocante à análise que está sendo efetuada no Relatório Preliminar de Análise de Segurança. Após a obtenção destas três licenças a Eletronuclear poderá retomar as obras de Angra 3, paralisadas desde 1986.
Dados TécnicosAngra 3 terá uma potência bruta elétrica de
1.400 MW e térmica de
3.782 MW, capaz de gerar
10,9 milhões de MWh por ano (o equivalente a um terço do
consumo do Estado do Rio de Janeiro), e será similar a Angra 2. O reator de Angra 3 será do
tipo PWR, com quatro loops e projeto da Siemens/KWU, atual AREVA NP. A principal diferença entre Angra 2 e Angra 3 é que esta terá um sistema de instrumentação e sala de controle digitais, em substituição à analógica do contrato existente. Além disso, será erguida sobre rochas, enquanto sua irmã gêmea foi construída sobre estacas escavadas. Com as três usinas em operação, o complexo nuclear de Angra dos Reis terá uma capacidade de geração semelhante à
Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), com aproximadamente
26 milhões de MWh por ano.
OrçamentoA valoração dos equipamentos já adquiridos para Angra 3, a preço de mercado, monta em cerca de EUR 600 milhões (equivalentes a US$ 750 milhões na base de preços de janeiro de 1999).
Para a conclusão do empreendimento, são estimados
investimentos adicionais da ordem de EUR 2,5 bilhões (cerca de
R$ 7,3 bilhões), sendo 70% destes gastos a serem efetuados no Brasil.
CronogramaO cronograma de Angra 3 (veja figura abaixo) prevê
66 meses para a sua implantação, contados a partir da data do início da obra, englobando as atividades de construção civil, montagem eletromecânica, comissionamento dos sistemas e testes operacionais. Este prazo começa com os trabalhos de concretagem da laje de fundo do Edifício do Reator e termina com o fim dos Testes de Operação e Potência da planta.
| ANGRA 3 - CRONOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO |
| meses |
andamento |
| 1 |
Início da Concretagem da Laje de
Fundo do Edifício do Reator |
| 9 |
Início da Montagem da
Esfera de Contenção |
| 17 |
Início da Montagem Elétrica |
| 32 |
Início do Comissionamento
do Sistema Elétrico Auxiliar |
| 46 |
Início do Comissionamento dos
Sistemas no Edifício do Reator |
| 56 |
Início da 1a. Operação à Quente |
| 63 |
1a. Criticalidade |
| 66 |
Conclusão |
| 67 |
Início de Operação Comercial |