Habitat do urso polar: vida no gelo

O urso polar, ou Ursus maritimus (urso marítimo), provavelmente evoluiu dos ursos marrons cerca de 200 mil anos atrás [fonte: Polar Bears International (em inglês)]. Na verdade, um urso polar pode acasalar com sucesso com um urso marrom e a prole resultante é fértil. Entretanto, existem muito mais ursos marrons que ursos polares. Os ursos marrons somam duas centenas de milhares em todo o mundo [fonte: WWF (em inglês)]. Os ursos polares somam apenas cerca de 25 mil.

Polar bears rely on the ice
Rinie Van Meurs/ Foto Natura/ Minden Pictures/Getty Images
Os ursos polares, que dependem do gelo para caçar, estão lutando com os efeitos do aquecimento global

Os ursos polares vivem apenas no hemisfério norte - você não vai encontrá-los no Pólo Sul. Os 25 mil vivem em 19 populações separadas por todo o Ártico, em apenas cinco países: os Estados Unidos (Alaska), Canadá, Rússia, Groenlândia e Noruega. Cerca de 60% da população vive no Canadá.

De acordo com a União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN), no seu relatório de 2007, consideram a espécie vulnerável à extinção. A vida no Ártico é cruel: os ursos vivem em total escuridão entre outubro e fevereiro e a temperatura pode cair a até -45ºC no inverno. E é exatamente assim que eles gostam.

Os ursos polares são feitos para o frio extremo. Eles quase não sofrem perda de calor: Duas camadas de pele e uma camada gordurosa de 11,5 centímetros de espessura os mantêm tão bem isolados que eles superaquecem se correrem. As áreas deficientes desse isolamento - orelhas, cauda e focinho - são particularmente pequenas, minimizando a superfície da área não isolada.

Os ursos polares na maioria das vezes andam devagar, seguindo sua presa favorita, a foca, de camada para camada de gelo. Eles precisam do gelo para caçar. Nos meses mais quentes, quando as camadas de gelo ficam menores, os ursos vão andar centenas de quilômetros para encontrar camadas de gelo.

Os ursos polares podem caminhar até 30 quilômetros por dia, por vários dias sucessivos, contando com minúsculas saliências na base de suas patas para impedir que escorreguem no gelo. Eles também nadam, para se refrescar após uma refeição e para atravessar a abertura entre as camadas de gelo quando estão perseguindo focas. Os ursos polares usam suas patas dianteiras para remar e suas pernas traseiras para controlar a direção (imagine o mais poderoso nado, estilo cachorrinho, do mundo). Eles apenas vão ligeiramente sob a água quando nadam e suas narinas se fecham quando estão submersos. São bem-sucedidos no gelo e nadadores vigorosos. Ursos polares foram seguidos nadando até 100 quilômetros de uma vez e até a 10 quilômetros por hora [fonte: SeaWorld (em inglês)].

Fora sua dependência do frio extremo, uma das maiores diferenças entre ursos polares e outros ursos é que os ursos polares não hibernam. As fêmeas entram em uma espécie de semi-hibernação próximo do fim da gestação, mas não sofrem a queda na freqüência cardíaca e na temperatura corporal que caracterizam a hibernação real. Na maioria das vezes apenas descansam e dormem bastante nos meses imediatamente anteriores e depois de dar à luz.

No entanto, os nascimentos estão diminuindo. Das 19 populações de ursos polares, sabe-se que pelo menos cinco estão diminuindo dramaticamente. Uma população no Canadá diminuiu mais de 20% nas duas últimas décadas [fonte: Polar Bears International (em inglês)].

Esse é um urso grande

  • Altura do macho adulto: 2,5 a 3 metros
  • Altura da fêmea adulta: 1,8 a 2,5 metros
  • Peso do macho adulto: 250 a 770 quilos
  • Peso da fêmea adulta: 90 a 320 quilos
  • Comprimento da garra: até 5 centímetros
  • Expectativa de vida: normalmente até 20 anos (embora um urso em um zoológico de Londres tenha vivido mais de 40)

Essa grave queda da população se deve a mudanças climáticas e elas têm muito a ver com a maneira dos ursos polares caçar. Na próxima seção vamos saber o porquê.