A vida diária de um tubarão

Autor: 
Tom Harris

Recentemente, os cientistas têm descoberto muitas informações novas sobre a fisiologia dos tubarões, mas sua vida diária continua bastante misteriosa. A maioria das espécies de tubarões é muito difícil de ser estudada porque viajam rapidamente por longas distâncias, às vezes, pelas profundezas do oceano. Eles vivem em um mundo muito inacessível aos humanos.

Gigante dócil
tubarão-baleia
Foto cedida Carl Roessler

A maior espécie de tubarão é também uma das menos agressivas. O tubarão-baleia pode atingir até 13 metros e meio, mas se alimenta principalmente de plâncton. Não tem os dentes afiados nem a estratégia agressiva de caça de outros tubarões grandes. Simplesmente nada pelas águas com a boca aberta coletando as pequenas criaturas que atravessam seu caminho.

Sabemos que os tubarões são animais solitários na maior parte do tempo. Eles vivem e caçam geralmente sozinhos, juntando-se a outros tubarões somente em algumas circunstâncias, como o acasalamento. Alguns deles formam cardumes em algumas ocasiões. Os pesquisadores não sabem ao certo por que isso ocorre, pois os tubarões não precisam de proteção contra predadores e não se alimentam em cardumes. Até este ponto, ainda não está claro o porquê desse comportamento. De qualquer forma, essa ocorrência é bastante rara. Na maior parte do tempo, os tubarões nadam sozinhos.

Quando caçam, a maioria dos tubarões se vale do elemento surpresa de alguma forma. Em alguns tubarões camuflados, que habitam o fundo do oceano, como as várias espécies de wobbegong, esse é um exercício passivo. O tubarão se mistura com o fundo do oceano e espera pela presa. Quando um peixe se aproxima, o tubarão abre a boca e o engole inteiro.

Em caçadores ativos, o elemento surpresa funciona de maneira um pouco diversa. Os grandes tubarões-brancos e outros que caçam grandes animais procedem com muita cautela ao se aproximarem da presa. Assim que encontra uma refeição em potencial, o tubarão o ronda de certa distância, analisando a situação. Quando está pronto, move-se rapidamente, dando uma boa mordida antes que o animal perceba o que está acontecendo. Freqüentemente, esse primeiro ataque é suficiente para matar a presa. Os pesquisadores têm observado os grandes tubarões-brancos se comportarem dessa maneira ao caçar leões marinhos: eles dão uma boa mordida e, em seguida, esperam o leão marinho morrer devido à perda de sangue. Esse tipo de caça toma muita energia do tubarão, por isso essas espécies não se alimentam mais que duas vezes por semana. Os tubarões que se alimentam de presas menores geralmente se alimentam várias vezes por dia.

cardume de tubarões cabeça-de-martelo
Foto cedida Carl Roessler
Um grande cardume de tubarões cabeça-de-martelo, fotografado na costa de Malpelo Island, Colombia

Em raras ocasiões, os tubarões ativos se ajudam na caça. Pesquisadores têm observado esse fenômeno principalmente em tubarões de sete brânquias. Quando esses tubarões caçam grandes focas marinhas, eles se valem da sua quantidade, pois uma foca marinha é muito grande para um único tubarão. Os tubarões formam um grande anel em torno de uma única foca e lentamente se aproximam. Quando estão perto o suficiente, um tubarão ataca repentinamente e o restante o segue. Às vezes, este tipo de comportamento ocorre em outras espécies, mas é muito raro.

Os cientistas também sabem que a migração tem um grande papel na vida da maioria das espécies de tubarões. A principal razão pela qual a maioria deles migra é a migração de suas presas. Diversos animais marinhos se reúnem em certas áreas por todo o ano para pôr ovos. Os tubarões se lembram desses padrões anuais e retornam a essa áreas todos os anos para tirar proveito do aumento exponencial da população. Muitas espécies se reúnem em volta dos barcos de pesca, por exemplo, pois sabem que os pescadores podem descartar iscas e pequenos peixes.