Um conjunto de cérebros paralelos

Além do tamanho e da estrutura modular, os robôs auto-reconfigurantes diferem dos Transformes de um modo importante. O Optimus Prime e outros Transformers têm consciência de suas existências e podem tomar decisões independentes, sendo que seus cérebros ficam em um único local dentro de seus corpos. O cérebro de um Transformer controla cada uma de suas partes móveis, e estas partes por si têm pouca ou nenhuma autonomia.

Na maioria das configurações de robôs modulares, no entanto, cada módulo tem algum poder de decisão e ajuda a deduzir para onde vai se mover. Em vez de um módulo ser o chefe de todos os outros, as habilidades de planejamento e movimento estão distribuídas entre todos os módulos.

Onde os Transformers mantêm seus cérebros
Enquanto trabalhávamos neste artigo, tivemos uma discussão sobre onde os Transformers mantêm seus cérebros. Todos nós intuímos a mesma resposta - o cérebro de um Transformer deve estar em sua cabeça (ou no cabine, na forma de veículo). Diversas representações em desenhos parecem suportar esta idéia. Contudo, isto não explica, inteiramente, como as partes do Optimus Prime podem operar separadamente, a menos que o Prime use sinais de rádio ou infravermelho para enviar e receber comandos. Também não explica porque a personalidade dos Constructicons é diferente dos Transformers. Você pode ler mais sobre o cérebro dos Transformers e como eles funcionam no The Matrix, revista não oficial dos Transformers.

Este conceito de um conjunto de pequenos robôs, cada um podendo decidir aonde vai, pode parecer desastroso. Mas os módulos são programados com um conjunto de regras sobre como se locomover, baseados em geometria. Eles também estão programados com algoritmos que governam seus movimentos. Estes algoritmos e regras permitem que os robôs deduzam como mudar de um formato para outro e se locomover em um terreno.

Para manobras muito complexas, os robôs planejam uma série de subformatos em vez de tentarem efetuar uma grande mudança em uma etapa. Por exemplo, um robô entrelaçado que precise mudar de uma pilha aleatória de módulos para um robô bípede poderia primeiro formar as pernas. Depois, ele poderia usar essas pernas como uma plataforma para construir a parte de cima do robô.

Aranha Polybot
Imagem cedida Palo Alto Research Center Incorporated
Atualmente, cada sistema de robô modular tem suas próprias regras para reger seus movimentos e reconfigurações

Neste momento, muitos destes robôs podem realizar, sozinhos, transições simples entre um formato e outro. Mudanças mais complexas podem requerer a ajuda de um cientista, o que torna a coleção de robôs mais semi-autônoma que autônoma. Alguns robôs, que ainda estão nos primeiros estágios de desenvolvimento, recebem todas as suas instruções de um computador e não tomam nenhuma decisão por si próprios.

Atualmente, a maioria dos robôs reconfigurantes tem seu próprio sistema de regras e algoritmos, e tais conjuntos de regras funcionam somente para os robôs para os quais foram projetados. Ou seja, as regras para o Crystal, do Rus Robotics Laboratory, não vão funcionar para o Molecule.

No entanto, os cientistas estão usando simulações de computador para pesquisar teorias de movimento que poderiam funcionar, não importando o tipo de robô. Estas teorias poderiam estabelecer regras básicas para os movimentos dos robôs, incluindo:

  • estabelecer quantas etapas se leva para formar uma estrutura completa;
  • evitar colisões entre módulos;
  • permitir que os módulos criem uma estrutura que seja estável e não desabe quando os robôs se moverem;
  • certificar-se de que os módulos em corrente ou coleções poderão atingir os pontos necessários.
Se bem sucedida, esta pesquisa poderia tornar mais fácil para os engenheiros criarem novos robôs modulares funcionais que sigam as mesmas regras de movimento.

Mesmo que estes robôs não andem nem falem como os Transformers, eles podem mudar para praticamente qualquer forma, se tiverem a programação e instruções corretas. Para saber mais sobre eles e sobre os Transformers, veja os links na próxima página.

Aviões de verdade que se transformam
Apesar de não se transformar em um robô, poderá haver um avião, de verdade, que se transforme num futuro próximo. Ele é chamado Switchblade, e é um avião militar não-tripulado que pode mudar de uma aeronave de cruzeiro para uma aeronave supersônica em pleno vôo. Atualmente em desenvolvimento pela Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA - Agência de Projetos de Pesquisa Avançados de Defesa), a asa do Switchblade tem 61 metros e começa perpendicular ao seu corpo, como em um avião tradicional. Mas quando o avião se aproxima da barreira do som, a asa se inclina em 60 graus. Isso reduz a tensão gerada na aeronave ao viajar em altas velocidades.

O Switchblade em baixa velocidade
O Switchblade em baixa velocidade
O Switchblade em alta velocidade
Fotos cedidas por DARPA
O Switchblade em alta velocidade
Este tipo de avião leva anos para ser planejado e desenvolvido. Um modelo operacional, na escala 1/5, poderá existir lá pelo ano de 2010. O avião, de verdade, provavelmente não existirá até 2020.