
Imagem © 2007 Dreamworks Pictures
Optimus Prime em sua forma bípede, do filme "Transformers"
Vamos começar com uma análise sobre o próprio Prime. Ele é enorme e impressionante, mas ele poderia existir de verdade? Para descobrir, perguntamos ao engenheiro Michael D. Belote o que seria preciso para construir uma carreta, em tamanho real, que pode se converter em um robô bípede. Ou seja, o que seria necessário para construir uma versão real do Optimus Prime?
Primeiro, o Prime tem que ser um robô auto-reconfigurante. Alguns robôs auto-reconfigurantes, ou robôs que podem mudar sua forma para executar tarefas diferentes, já existem. Porém, eles são muito diferentes do Optimus Prime. Abaixo a explicação de Belote.
Nos robôs auto-reconfigurantes, o engenheiro normalmente prefere manter os módulos individuais pequenos, simples, baratos e intercambiáveis. No caso do Optimus Prime, no entanto, estamos lidando com um robô cujos módulos individuais são do tamanho da cabine de um cavalo-mecânico (parte da frente em uma carreta). Mesmo que fosse possível construir tais módulos, os custos seriam exorbitantes, e a extraordinária complexidade tornaria praticamente impossível conseguir que todos os sistemas funcionassem juntos de forma correta.

Imagem © 2007 Dreamworks Pictures
O Optimus Prime pode ser metade robô bípede e a outra medade parte de uma carreta
Mesmo se os engenheiros conseguissem fabricar módulos intercambiáveis na escala do Optimus Prime, ainda assim poderia ser impossível fornecer energia para movê-los. Em sua forma de veículo, o Optimus Prime pode rodar com combustível diesel comum. No entanto, andar é muito menos eficiente do que usar rodas. Para poder andar, o Prime precisaria de muito mais energia do que um motor a diesel poderia fornecer. Abaixo está a análise de Belote sobre como lidar com os requisitos de energia do Prime.
Os robôs tradicionais são construídos com base em uma das três fontes de energia: elétrica, pneumática ou hidráulica. Devido aos pesos extremos envolvidos, a energia hidráulica é a fonte mais provável para o Prime, porque os acionadores hidráulicos fornecem relações energia-peso muito altas (grande saída de energia para pequenas entradas de energia).Portanto, a energia hidráulica poderia permitir que o Prime andasse, mas o próprio sistema hidráulico causaria um outro conjunto de problemas. "Um tanque ou reservatório teria que ser acrescentado para conter o fluido hidráulico," diz Belote, "bombas hidráulicas seriam necessárias. Uma fonte secundária de energia deveria ser usada para mover a bomba. Seriam necessárias válvulas para atingir os níveis adequados de pressão e de fluxo." Além disso, um Prime movido a energia hidráulica teria de ser forrado com tubulações para carregar o fluido hidráulico. Todos estes canos, junto com os tubos de combustível e fiações elétricas, não poderiam ser danificados nem tocados durante a transformação.
Depois de sobreviver à transformação para formato robô, o Prime teria então que andar como um bípede. Belote descreve o que seria necessário para isto acontecer: uma vez que as carretas comuns, freqüentemente, pesam mais que 30 toneladas, o peso final do Prime poderia facilmente ficar entre 35 e 40 toneladas. Compare isto com o melhor robô "andante" do mundo, o robô ASIMO da Honda, que tem um peso total de 54 kg e mesmo assim só consegue andar por cerca de 40 minutos (movido a energia elétrica) e numa velocidade máxima menor que 3,5 km/h. A proporção de peso do ASIMO é de 410 g por cm, se comparada à proporção de peso do Prime, que provavelmente superaria 13 a 14 kg por cm, um valor 30 vezes maior.
Além disso, os robôs não conseguem imitar facilmente o movimento do caminhar. "Para um robô," Belote explica, "há um comando direto (levante a perna por "x" unidades, incline para frente "y" unidades, estique a perna para baixo "z" unidades, e assim por diante). Para os humanos, porém, não existe um mecanismo de 'feedback', o seu cérebro não se comunica constantemente com suas pernas para informar onde devem se colocar. Em vez disso, você apenas se inclina para frente e 'cai', colocando sua perna para absorver o impacto quando seu pé toca o chão".
Por isso, não é provável que iremos ver um Optimus Prime, ou um robô como ele, funcionando na nossa época. Mas robôs que podem mudar seu formato ou adquirir qualquer forma já existem. Vamos examinar alguns deles, e como eles se comparam com o Prime, na próxima seção.