Anatomia dos felinos dente-de-sabre

Naturalmente, os felinos dente-de-sabre são conhecidos por seus dentes característicos - dois caninos muito longos que se estendem bem abaixo do limite inferior da mandíbula. Esses caninos são cerca de duas vezes mais espessos da frente para trás do que de lado a lado, de modo que se assemelham a lâminas de faca muito espessas e ligeiramente curvas. No Smilodon fatalis, os dentes dos felinos adultos podem medir até 18 cm de comprimento.


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Mas os dentes dos felinos nem sempre foram tão grandes. Os felinos dente-de-sabre tinham dentes de leite decíduos, como os seres humanos e outros mamíferos (em inglês). Os felinos perdiam seus dentes de leite, entre os quais um par de caninos em forma de sabres reduzidos, antes de chegar à adolescência. A fim de atingir o comprimento necessário, os caninos adultos dos animais cresciam à razão de cerca de 8 mm ao mês durante mais de 18 meses. Os dentes dos tigres atuais crescem aproximadamente nessa velocidade, mas os caninos dos felinos dente-de-sabre cresciam por mais tempo do que os dos atuais tigres.

O tamanho considerável dos caninos dos felinos dente-de-sabre faz parecer que atacar ou comer suas presas lhes causasse problemas. Mas eles tinham a capacidade de abrir muito a boca para compensar o imenso comprimento dos dentes. O Smilodon fatalis era capaz de abrir a boca em cerca de 120 graus. Isso permitia que os animais dessem grandes mordidas, ainda que, de acordo com resultados de tomografia computadorizada (CT), eles usassem essas grandes mordidas em tecidos macios, não em ossos. Os crânios dos felinos não eram estruturados para resistir à pressão causada pela mastigação de ossos. Eles também não tinham pontos de ancoragem para as massas musculares, necessárias para manter uma presa se debatendo nas mandíbulas por muito tempo. Esse é um dos motivos que levava os felinos dente-de-sabre a atacar suas presas na garganta ou no abdome e não onde havia ossos.


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O que faltava de força na mandíbula ao felino dente-de-sabre ele compensava em termos de dimensões físicas e força. Esses carnívoros eram como versões maiores dos modernos leões. Suas pernas e corpos eram curtos e musculosos, e a massa muscular total de que dispunham era elevada, o que lhes conferia peso muito superior ao do leão médio. Enquanto um leão pesa até 227 quilos, um felino dente-de-sabre pesava de 270 a 340 quilos. Os felinos dente-de-sabre tampouco dispunham da cauda longa que os atuais leões usam para fins de equilíbrio. Isso talvez fizesse deles animais mais fortes, mas menos ágeis do que os felinos modernos. A falta de uma cauda longa é um dos motivos para que os cientistas não os classifiquem como tigres dente-de-sabre ou leões dente-de-sabre.

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Tom Tietz/Getty Images
Indícios oferecidos por fósseis sugerem que o Smilodon fatalis tivesse pêlo malhado como o de uma onça

Imagine um leão de grande porte que tenha perdido a cauda e apresente comprimento ligeiramente inferior da cabeça ao traseiro e altura um pouco menor dos pés aos ombros e você terá uma boa idéia do que era um felino dente-de-sabre. Já a cor do animal é uma questão bem mais difícil. Até hoje, os paleontólogos não descobriram quaisquer restos fossilizados que indiquem a cor do pêlo ou da pele dos felinos dente-de-sabre, de modo que não existem indícios de coloração. No entanto, com base na análise de fósseis de plantas da mais recente era glacial, muitos paleontólogos acreditam que o Smilodon fatalis tivesse uma pelagem malhada como a de uma onça ou como a de uma jaguatirica moderna. Essa coloração teria ajudado o animal a se camuflar em meio à vegetação comum daquela era.

Fósseis também ofereceram aos paleontólogos algumas idéias sobre como os felinos dente-de-sabre viviam e se comportavam. Estudaremos os indícios quanto a uma estrutura social entre esses animais - e os argumentos que os definem como solitários - na próxima seção.