Características das sucuris

Autor: 
Erli Costa

No continente americano existem quatro espécies de sucuri, das quais três ocorrem no Brasil: sucuri-amarela (Eunectes notaeus); sucuri-malhada (E. deschauenseei) e sucuri-verde (E. murinus). Esta última é a que chega ao maior comprimento e é a mais conhecida no país. Além de ser a maior serpente das Américas e a segunda maior do mundo, perdendo em tamanho apenas para a píton reticulada (Python reticulatus), da Ásia. Geralmente as lendas sobre as sucuris são relativas sobre a sucuri-verde. A quarta espécie é a sucuri-boliviana (E. beniensis), que vive somente na Bolívia.

Eunectes murinus – Sucuri-verde
© istockphoto.com / Carlos Cruz
Eunectes murinus – Sucuri-verde

A coloração da pele das sucuris varia de acordo com a espécie. A cabeça é triangular, revestida com numerosas escamas pequenas, com pescoço definido, narinas e olhos pequenos localizados no alto da cabeça permitindo que ela veja com clareza e respire enquanto se desloca na água. Todas as espécies são dependentes de ambientes aquáticos como rios, lagos e brejos, sendo todas excelentes nadadoras. A dentição das sucuris é conhecida como áglifa, porque possui dentes cônicos que não injetam veneno na vítima. Elas matam por esmagamento, o que provoca asfixia. Atingem em média 5 m de comprimento, tendo registros de que podem chegar a 11,5 m (sucuri-verde). Para chegar aos 4 m de comprimento uma sucuri pode levar até 20 anos. As fêmeas são geralmente maiores do que os machos e são as que chegam aos maiores comprimentos. Os machos não costumam passar dos 5,5 m.

Características das espécies brasileiras

A sucuri-verde é a maior e mais conhecida das espécies existentes de sucuri. É encontrada na América do Sul, nas regiões alagadas onde há presas como jacarés e capivaras em abundância. Os desenhos de seu corpo, do pescoço até o rabo, lembram a letra O e sua face possui dois riscos laterais, um deles surge do olho e o outro da parte de cima da cabeça.

A sucuri-amarela é menor que a sucuri-verde e, por isso, tem uma variedade menor de presas. Sua alimentação consiste basicamente de peixes, aves, pequenos roedores e até uma capivara jovem. Atinge cerca de 4 m de comprimento e habita pântanos e brejos, sendo endêmica do Pantanal.

A sucuri-malhada é uma espécie endêmica da Ilha de Marajó. Não há muitas informações disponíveis sobre esta serpente, que tem hábitos parecidos com as outras duas espécies.

Ficha técnica

Ordem: Squamata
Família: Boidae
Longevidade: 10 a 30 anos
Maturidade: 3-4 anos
Acasalamento: abril a maio
Gestação: cerca de 240 dias
Nascimento dos filhotes: outubro a novembro
Nº de filhotes: 20 a 70

Espécies e nomes comuns em português e inglês (distribuição no Brasil)
Eunectes deschauenseei  – Sucuri-malhada – Dark-spotted Anaconda (endêmica da Ilha de Marajó)
Eunectes murinus – Sucuri-verde – Green Anaconda (da Amazônia ao Paraná).
Eunectes notaeus – Sucuri-amarela  – Yellow Anaconda (Endêmica do Pantanal)