Configurações e missões do Stryker

ICV
O Veículo de Transporte de Infantaria é construído tanto para o transporte de tropas como para a força ofensiva. Além do piloto e do comandante, um ICV leva nove soldados da infantaria. Para a artilharia, as características do ICV são uma torre atiradora Konigsberg, que é operada via controle remoto de dentro do veículo. A torre atiradora pode ser equipada com uma metralhadora pesada de calibre 50, uma metralhadora de 7,62 mm ou um lançador de míssil Javelin de 40 mm.


Foto cedida Exército Americano, pelo Sgt. Jeremiah Johnson
Soldados desmontam um Veículo de Transporte de Infantaria Stryker para conduzir uma patrulha em Mosul, Iraque

MGS


Foto cedida União de Combinação de Sete Forças-Tarefa
Canhão dispara de um Stryker
O Sistema de Armamento Móvel propicia um poder de fogo equivalente ao de um tanque em um pacote menor e mais manobrável. Na verdade, o MGS é equipado com um canhão de 105 mm, o mesmo tipo do tanque Abrams M1.

O canhão pode disparar quatro tipos diferentes de munição:

  • salva de tiros HE/HEP (altamente explosivos), que penetram e destroem casamatas e paredes;
  • munição KE (energia cinética) que destrói veículos armados;
  • munição HEAT (altamente explosiva, anti-tanque) que atinge veículos e pessoas com sua alta capacidade de fragmentação;
  • munição anti-pessoas, projetada para atacar soldados da infantaria fora de seus veículos.
Além disso, os MGS têm até duas armas secundárias: uma metralhadora de 7,62 mm e uma de calibre 50. Para combinar com esse poder de fogo, o sistema defensivo do MGS é mais robusto do que o do ICV. Planos atuais para a blindagem MGS requerem blindagem especial reativa para acompanhar a atual estrutura de aço e cerâmica. Este Stryker também possui detectores para armas nucleares, biológicas e químicas. Considerado a mais importante das variações do Stryker, o MGS apresenta seu maior desafio na preparação rápida do avião C-130.

Os outros Strykers

  • RV - Veículo de reconhecimento
    Transporta um pelotão de observação e equipamento de vigilância ligados ao sistema FBCB2.

  • MC - Transportador de Morteiro
    Possui morteiros de 60 mm e 120 mm capazes de disparar um conjunto completo de munição, incluindo granadas de precisão guiadas por calor e infra-vermelho.

  • CV - Veículo de Comando
    Contém um grande sistema de exibição de vídeo para visualização de mapas táticos FBCB2 e um sistema de voz que alerta o comandante do perigo. Para artilharia, há uma metralhadora de calibre 50 e um lançador de granadas.

  • FSV - Veículo de Combate a Incêndio
    É projetado para apoio de comando e controle avançados, incluindo aquisição e identificação de alvo e comunicação.

  • ESV - Veículo de Pelotão de Engenharia
    Possui detector de minas e sistemas de remoção, tela com display por toque para o líder do pelotão, uma metralhadora calibre 50 operada à distância e lança mísseis.


Foto cedida Exército Americano, do Sgt. de 1ª Classe Gary Ogilvie
Uma tripulação de Veículo de Pelotão de Engenharia Stryker reconfigura seu veículo depois de ser transportado para bordo do avião Hércules C-130 da Força Aérea para o Campo de Aviação do Exército de Bicycle Lake no Centro Nacional de Treinamento, Forte Irwin, CA

  • MEV - Veículo de Evacuação Médica
    Uma ambulância construída dentro do chassis do Stryker; transporta de quatro a seis pacientes e três médicos, juntamente com o equipamento médico e uma porta-levadiça automática.

  • ATGM - Veículo com míssil anti-tanque teleguiado
    Possui dois tubos lançadores de míssil para destruidor casamata  e mísseis anti-tanque.

  • NBCRV - Veículo de Reconhecimento NBC
    Contém sistemas de detecção para armas nucleares, químicas e biológicas, equipamentos para analisar amostras de campo para conteúdo perigoso e equipamento meteorológico para monitorar e predizer os padrões climáticos.

Como você pode ver, o conjunto dos Strykers é projetado para atender a praticamente todas as necessidades de uma brigada do Exército.

Na próxima seção, vamos examinar as metas específicas do projeto Stryker.

Missão: veículo para o novo Exército
Para ver o que faz do Stryker tão útil em campo, é importante entender porque ele foi desenvolvido. Na primeira metade do século XX, as guerras se espalharam lenta e deliberadamente sobre vastas áreas do globo. Transportar equipamentos pesados por grandes distâncias era um problema com o qual se podia conviver, porque ambos os lados estavam igualmente limitados pelo tempo que levassem para mover  seus exércitos. Mas no atual clima político e militar, as crises geralmente surgem sem aviso e requerem uma resposta imediata e poderosa.


Foto cedida Exército Americano, do Sgt. de 1ª Classe Gary Ogilvie
Um Transportador de Morteiro Stryker sai da traseira de um avião Hércules C-130 da Força Aérea depois de aterrissar no Campo de Vôo do Exército Bicycle Lake no Centro Nacional de Treinamento, Fort Irwin, CA

Os conflitos de hoje são relativamente curtos e pequenos em escala para usar as antigas estratégias de movimentar comboios de equipamentos, ao longo de linhas de fornecimento. Além disso, os atuais adversários são menores mas têm forças independentes determinadas, em vez de grandes exércitos. Isto coloca pressão na habilidade do exército responder às ameaças  de uma maneira adequada e poderosa. Em resposta aos problemas de velocidade de organização, o  General Eric Shinseki elaborou o "Plano de Transformação do Exército", propondo mudanças na estrutura organizacional do Exército para adaptá-lo aos novos desafios enfrentados.

O plano do General Shinseki propunha a organização de um novo grupo de brigadas de combate, que seria conhecido como uma "força provisória". Cada uma dessas brigadas seria auto-suficiente, tão poderosa quanto um batalhão de tanques, e capaz de ser enviada para qualquer lugar no mundo em 96 horas. Não é uma tarefa fácil, considerando que as atuais brigadas devem ser movidas por navio e, geralmente, requerem semanas para serem enviadas. Uma brigada de força-temporária ou um pelotão seriam usados de um modo ou de outro:

  • como o primeiro a responder, estabelecendo e mantendo uma presença até que as unidades mecanizadas pesadas chegassem
  • como o principal elemento de combate

O projeto Stryker, um veículo leve projetado para maximizar a velocidade, potência de fogo, adaptabilidade e inter-operabilidade, foi a plataforma escolhida para possibilitar que estas novas brigadas cumprissem suas metas. Se as brigadas de força-temporária fossem bem sucedidas no campo como esperado, o plano de Shinseki então propunha uma eventual transformação de todo o exército para uma "força objetiva", onde cada brigada seria capaz de cumprir com metas similares de potência de fogo maximizada.


Foto cedida Exército Americano, pelo Sgt. Jeremiah Johnson
Soldados mantendo a segurança para uma zona de aterrissagem de helicóptero fora da cidade de Mosul, Iraque

Para cumprir às exigências, um veículo Stryker da brigada de força-temporária seria transportado em um avião C-130, o avião de carga mais comum da Força Aérea Americana. As restrições de peso do C-130 requerem que uma carga transportada não seja maior de 22 toneladas, e assim o próprio Stryker não podia pesar mais de 19 toneladas. Ao longo do processo de teste e modificações do Stryker com características únicas das missões de combate reais, cumprir essas exigências de peso foram um dos maiores desafios do projeto.