Pneus, suspensão e sistema de transmissão

Vamos começar pelos elementos que são comuns a todas as configurações de Strykers. Iniciando no nível do solo, a inovação mais óbvia em relação a veículos leves e médios anteriores são as rodas. O Stryker se move com oito rodas, ao contrário dasesteiras geralmente encontradas num tanque, caminhão pesado ou transporte de pessoas blindado. Um veículo com rodas, geralmente, é muito mais rápido do que aqueles que se locomovem por esteiras, que são capazes de viajar sobre as mais variadas superfícies. Os pneus Stryker são construídos com uma nova tecnologia que os faz quase tão versáteis quanto os veículos sobre esteiras.


Foto cedida Exército Americano
Um veículo de transporte de Infantaria Stryker totalmente carregado partindo da "cavidade empoeirada" no Centro Nacional de Treinamento do Exército no Forte Irwin, CA

CTIS
Os CTIS podem ser encontrados em outros sistemas de veículos militares, incluindo o Humvee, e em caminhões comerciais pesados. 
A Corporação Eaton/Dana criou um sistema de controle de pressão especial (CTIS, ou Sistema Central de Calibragem de Pneus) para os oito pneus do Stryker. Assim, de dentro do veículo, eles podem ser inflados ou desinflados à vontade. Isto significa que a tripulação do Stryker pode adaptar a altura do chassis e controlar a potência das rodas em cruzeiro, o que dá muito mais mobilidade que um veículo com pneu de pressão fixa. Um painel de controle (ECU) no pára-brisa do veículo, é conectado aos sensores e mangueiras pressurizadas conectadas a cada pneu. Isto permite à tripulação monitorar com precisão a pressão dos pneus e fazer mudanças apenas apertando um botão. Com uma velocidade máxima de mais de 97 km/h, o Stryker é mais rápido que um tanque. Mas graças ao CTIS, ele pode viajar, como um tanque tanto em superfícies duras como macias. O CTIS também ajuda no transporte do Stryker. Apenas esvaziando parcialmente os pneus, a tripulação do Stryker pode torná-lo mais compacto para o embarque em aviões de carga.

Cada um dos pneus possui um sistema de suspensão hidropneumático independente, pressurizado com nitrogênio, que trabalha em conjunto com o CTIS para tornar a viagem qualquer que seja a distância do solo.

O sistema de transmissão automática que permite a seleção da tração em quatro-rodas ou em todas as rodas do Stryker, é acionado por um motor Caterpillar turbodiesel de 350 hp, com caixa de mudança de duas velocidades. Ele tem seis marchas para frente e uma marcha a ré. A velocidade máxima é de, aproximadamente, 105 km/h, e pode viajar 531 km com um tanque de 200 litros de diesel. O motor gera 786 N.m de torque a 1.400 rpm. Ele pode transportar até 2.950 kg de carga e ainda tem capacidade para rebocar uma carga adicional de 4.536 kg.

Como este é o mesmo motor dos veículos de classe média do exército, o Stryker pode utilizar os mecânicos e peças de manutenção de unidades mais antigas. Esta é outra característica que torna as brigadas Stryker mais eficientes e compactas.

Controvérsias
Críticos do Stryker, incluindo os analistas militares, congressistas e veteranos de combate consideram que o projeto não cumpriu com suas metas e que pode nunca atingir os ideais ambiciosos do Plano de Transformação do Exército. A discussão concentra-se principalmente em três aspectos:
  • vulnerabilidade - mesmo com a inclusão da "gaiola" de lâminas blindada, há uma grande preocupação quanto à vulnerabilidade do Stryker a ataques RPG. Desde de abril de 2004, pelo menos um Stryker foi vítima de um ataque desse tipo no Iraque. De acordo com relatórios, dos dois RPGs disparados contra este Stryker em particular, um atravessou a blindagem de lâmina e destruiu o veículo.  Os Strykers em campo também têm sido danificados por bombas e acidentes de capotagem;

  • peso e transportabilidade - os 3.500kg de armamento adicional colocado no Stryker antes de ser embarcado para o Iraque pode ter aumentado seu peso e altura além da capacidade de carga útil do C-130. Mesmo sem o armamento adicional, durante uma fase de teste a tripulação do Stryker teve que remover, temporariamente, vários componentes antes dele poder ser carregado em um C-130. Após o desembarque, foram necessários 17 minutos para preparar o Stryker para sua missão;

  • falhas gerais de projeto - houve reclamações sobre vários sistemas que não funcionavam de acordo com o que foi dito pelo fabricante. Algumas tropas de combate relataram problemas com freqüentes estouros dos pneus e que o peso do armamento adicional causou problemas com o guincho de auto-recuperação. Além disso, há  relatórios que dizem que a blindagem de lâmina aumenta tanto a largura dos veículos que eles não podem viajar lado a lado em estradas estreitas.