Stephen Hawking e os buracos negros

Um acordo firmado entre os Aliados e o Eixo poupou cidades de arquiteturas insubstituíveis de serem bombardeadas durante a Segunda Guerra Mundial. Oxford, na Inglaterra, era um dessas áreas protegidas. E foi lá, em 8 de janeiro de 1942, a mesma data de nascimento de Galileu Galilei, que nasceu Stephen Hawking. Seus pais haviam frequentado a Universidade de Oxford e levavam uma vida intelectual ortodoxa, o que deu a família uma fama de excêntrica.

Stephen teve uma formação educacional comum. Aos dez anos mostrava seu interesse por química e chegou a ter seu próprio laboratório de ciências em sua casa. Nessa época já se revelava uma inteligência bem acima da dos seus colegas e também dos padrões de exigência de sua escola. Passava seu tempo livre inventando complexos jogos de tabuleiro e impressionava a todos com sua capacidade de se concentrar por horas na resolução de algum problema intrincado. Mas os talentos de Hawking começaram a ser descobertos de fato quando acabou o ensino médio e ganhou uma bolsa de estudos em Oxford. Com 17 anos, ele foi estudar ciências naturais com ênfase em física.

Na Universidade de Oxford, Hawking foi logo reconhecido pelos professores e colegas como um aluno excepcional. Sua capacidade mental lhe deu um ar arrogante o que só fez aumentar sua fama. Após concluir o curso em Oxford decidiu fazer pós-graduação em cosmologia em Cambridge. Mas nessa época uma má notícia mudaria definitivamente sua vida. Em um check-up feito após ele apresentar alguns sintomas, Hawking foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, uma doença neuro-motora que causa a degeneração progressiva das células nervosas na medula espinhal e no cérebro.

Os médicos deram a Hawking menos de dois anos de vida. Algum tempo após o diagnóstico ele já estava usando bengala. Com um cenário tão sombrio, Hawking foi buscar uma nova esperança em Jane Wilde, uma moça que começou a namorar e com quem se casaria em 1965 no mesmo ano em que começou seu PhD. Começava ali a fundamental contribuição de Hawking para a cosmologia. Ele percebeu que a teoria da relatividade não se harmonizava com a física quântica para explicar os buracos negros. Aliás, a própria existência dos buracos negros era colocada em dúvida naquela época.

Várias divergências científicas envolviam os buracos negros, inclusive as teorias sobre se o universo era ou não estático, se ele estava se expandindo e se o big bang não passava de uma ideia ridícula. Nesse cenário, Hawking teve um insight. Ele imaginou o que aconteceria se um buraco negro pudesse ser revertido. E aplicou essa ideia ao universo. A expansão do universo poderia ser assim nada mais do que uma enorme estrela que colapsa em reversão. Assim, se o tempo desaparece dentro de um buraco negro, o processo inverso resultaria na criação do tempo. Isso também aconteceria com o espaço. Dessa forma a teoria da relatividade se aplicaria em ambos os sentidos. De acordo com Hawking, a matéria se originaria de um ponto infinitamente denso, mas sem dimensão. Quando começou a se expandir, essa singularidade que seria o big bang, originou o tempo, o espaço e a matéria. Mas uma hora essa expansão cessaria e haveria a contração até uma singularidade que seria o big crunch. Assim antes do big bang e após o big crunch não haveria nem tempo, nem espaço, nem matéria. Hawking acabara de explicar o ato de criação: um buraco negro em reversão total originou o big bang. Àquela altura quatro anos já haviam se passado desde que recebera o diagnóstico que não teria mais do que dois anos de vida.