O satélite Sputnik

A equipe de Korolev sabia que para lançar um satélite antes dos americanos, ele teria que ser pequeno e sem complicações. Um satélite mais pesado exigiria mais avanços em construção de foguetes para alcançar as velocidades necessárias para atingir a órbita. Os soviéticos tiveram que criar um dispositivo mais simples que não pesasse tanto.

Queda livre

Em 1687, Sir Isaac Newton teorizou que a velocidade era o fator mais crítico para entrar em órbita. Ele ilustrou o conceito com uma experiência hipotética: imagine um canhão no topo de uma montanha alta. Você o aponta na direção do horizonte. Quando você dispara o canhão, a gravidade puxa a bala do canhão para baixo até entrar em contato com o solo. Se você usar mais pólvora, a bala viaja mais rápido e vai mais longe. Com pólvora suficiente, seria possível disparar a bala do canhão tão rápido que ela iria igualar a razão em que a Terra se curva para baixo. A bala iria cair perpetuamente, acompanhando a curvatura da Terra até que a resistência do ar diminuísse sua velocidade. Em um ambiente sem resistência do ar, ela cairia para sempre, circulando a Terra.

O Sputnik tinha um diâmetro de 58 cm e pesava 83,6 kg. A equipe de Korolev construiu a esfera composta de dois hemisférios de alumínio, com apenas 2 mm de espessura cada. Eles fixaram duas antenas no satélite e poliram sua superfície para torná-lo mais fácil de ser detectado usando telescópios ópticos.

Dentro do satélite havia um simples transmissor de rádio e um jogo de baterias de prata-zinco. O rádio transmitia uma série repetida de bips. A finalidade dessa transmissão era provar ao resto do mundo que a União Soviética fora bem sucedida no lançamento do primeiro satélite artificial. Muitos operadores de rádio se perguntaram se os bips tinham outro significado e as teorias variavam de simples leituras de navegação à aplicações mais sinistras, como informações de espionagem. Na realidade, as transmissões apenas podiam dar aos ouvintes na Terra uma indicação da temperatura dentro do satélite.

O satélite também tinha vários outros mecanismos simples em seu interior. Havia um ventilador que ligaria automaticamente se a temperatura dentro do Sputnik ultrapassasse 30ºC. Os engenheiros encheram o satélite com nitrogênio até que houvesse uma pressão interna de 1,3 atmosferas. Instalaram vários interruptores que se ativavam dependendo das alterações de pressão e temperatura. Quando ativados, os interruptores alteravam os sinais enviados pelo Sputnik, dando ao controle soviético em terra uma ideia do que estava acontecendo lá dentro.

Os engenheiros acoplaram o Sputnik a um veículo especial de lançamento R-7. E seus sistemas se ativaram na separação do veículo. O foguete R-7 tinha dois estágios e pesava mais de 272 toneladas antes do lançamento (sem combustível pesava apenas 22 toneladas). Usava querosene T-1 como combustível e oxigênio líquido como agente de oxidante. O satélite Sputnik estava montado no topo do foguete, alojado em uma caixa protetora especial que o foguete alijou ao atingir a órbita.

R-7 Rocket
Scott Andrews/NASA
Um foguete R-7 colocou o Sputnik em órbita. Aqui é possível ver a espaçonave Soyuz TMA-2 no topo de um foguete R-7.

O foguete era uma versão despojada de um ICBM militar. Não possuía sistema de controle remoto e operava usando exclusivamente giroscópios calibrados, que ajudavam o foguete a fazer ajustes em voo para manter seu curso. Não havia nenhuma maneira do controle em terra afetar a trajetória de voo do foguete. Para dizer a verdade, não havia sistemas ativos de rastreamento a bordo - a União Soviética tinha que rastrear o curso do Sputnik por radar e telescópios.

Como o lançamento do Sputnik mudou o mundo? Descubra na próxima página.