A história do Sputnik está atrelada à história da ciência da construção de foguetes, que começou a florescer entre a Primeira Guerra Mundial (em inglês) e a Segunda Guerra Mundial (em inglês). Na conclusão da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi forçada a cumprir o Tratado de Versalhes, que entre outras coisas proibiu o país de fabricar artilharia. Os oficiais militares alemães perceberam que foguetes transportando explosivos tinham o potencial para substituir a artilharia. O Tratado de Versalhes não falava de foguetes.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os foguetes representaram uma pequena parte dos planos alemães. Hitler esperava que ataques com foguetes a cidades fizessem os países entrar em pânico e se submeter às exigências alemãs. Embora a Alemanha tenha usado foguetes em vários ataques, eles não cumpriram as expectativas. Mas o palco estava armado para futuros progressos no desenvolvimento de foguetes.
Tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética começaram a se interessar pela construção de foguetes. Vários engenheiros alemães, inclusive Werner von Braun, se renderam aos americanos com a esperança de continuar sua pesquisa. Entretanto, a União Soviética iniciou seu próprio programa de produção de foguetes.
De várias maneiras, os programas de construção de foguetes na União Soviética e nos Estados Unidos eram paralelos. Ambos estavam ansiosos por desenvolver os foguetes mais avançados do mundo. E os dois países se voltaram para aplicações militares mais do que para qualquer outra. Tanto na União Soviética quanto nos Estados Unidos, essas aplicações científicas teriam caído no esquecimento se não fosse por alguns indivíduos devotados.
Na União Soviética, esses indivíduos incluíam Mikhail Klavdievich Tikhonravov e Sergei Pavlovich Korolev. Tikhonravov era graduado da Academia da Força Aérea Soviética e perito em ciência de foguetes. Ele foi responsável por muitos dos avanços em foguetes multiestágio na U.R.S.S. A versão multiestágio tornou possível um foguete alcançar a órbita. Korolev foi um dos fundadores do programa espacial soviético. Era competente em alavancar contatos políticos para ajudar a fundar o programa espacial. Ele também compreendeu a importância política de bater os Estados Unidos no espaço.
Tikhonravov e Korolev lideraram equipes que ajudaram a desenvolver o programa Sputnik. Tikhonravov se concentrou principalmente em projetar um foguete multiestágio que pudesse atingir a órbita da Terra. O conceito era simples: quando o primeiro estágio do foguete alcançasse a velocidade máxima, seria alijado e o segundo estágio entraria em ignição. O foguete aumentaria sua velocidade, indo ainda mais rápido. Quando o segundo estágio chagasse ao máximo, o foguete o alijaria e o terceiro estágio entraria em ignição. Korolev também colaborou para muitas decisões do projeto. Algumas delas tiveram motivação política. Por exemplo, em 1955, o presidente Eisenhower anunciou que os Estados Unidos lançariam um satélite durante o Ano Geofísico Internacional (IGY, sigla em inglês). O IGY estendeu-se de julho de 1957 a dezembro de 1958. Logo após o anúncio de Eisenhower, um oficial da União Soviética disse que a URSS também iria lançar um satélite. Korolev estava sob pressão política para bater os americanos no espaço.
Embora os soviéticos tivessem planejado lançar um satélite de pesquisa científica à órbita, o projeto e o processo de produção eram prolongados. Para assegurar que a União Soviética lançasse o seu em primeiro lugar, Korolev decidiu construir um satélite muito mais simples e menor. O resultado foi o Sputnik, um aparelho um tanto primitivo que satisfez a definição de um satélite artificial.
O que havia no Sputnik e como ele funcionava? Descubra na próxima página.