Espaçonave SpaceShipOne

Matthew Gionta, nos descreve passo a passo o que vai acontecer no vôo histórico.

HSW: então, como funciona a SpaceShipOne?


Imagem cortesia da Scaled Composites, LLC
Manobra de saída
Matthew Gionta: a SpaceShipOne está presa sob a parte inferior da aeronave White Knight, ambas desenvolvidas a partir de um esboço. A White Knight é um avião com motor turbofan que transporta a SpaceShipOne de 45 a 50.000 pés de altura para que o vôo espacial seja realizado de uma posição relativamente alta onde o ar é bem menos denso. Quando subimos a 45.000 pés, já ultrapassamos 85% da atmosfera terrestre. A essa altitude, o ar é bastante rarefeito, logo, é um ótimo local para se começar a viagem. De lá, liberamos a nave da White Knight e ela plana por 10 segundos até que o piloto se ajeite e estabilize a espaçonave, deixando-a pronta para disparar o motor-foguete. Quando a chave é acionada, o motor-foguete híbrido na SpaceShipOne impõe uma aceleração que equivale de 2 a 3 vezes a força da gravidade. A espaçonave acelera para frente e o piloto imediatamente começa uma manobra de saída quase na vertical.

A nave continua a acelerar diretamente para cima por pouco mais de um minuto. Nós não fornecemos os valores exatos pois alguém pode mudar o projeto.


Imagem cortesia da Scaled Composites, LLC
Reposicionamento da nave para a reentrada na atmosfera

Então seguimos por cerca de um minuto para cima e chegamos a 150.000 pés, aproximadamente. O motor se apaga nesse momento, mas agora a nave está se deslocando com velocidade acima de 3.200 km/h, subindo na vertical e, então, começa a desacelerar. Dali, ela desacelera mais uns 150.000 pés, até que alcança o apogeu (ponto no qual a SpaceShipOne fica mais longe da Terra). Imediatamente antes de atingir o apogeu, o piloto liga outra chave que aciona alguns atuadores pneumáticos, fazendo com que a cauda da espaçonave e a metade traseira da asa se dobrem como um canivete. Essa é, provavelmente, a comparação mais adequada.

A espaçonave assume essa forma e isto significa posicionar a nave, ou reconfigurá-la para a reentrada na atmosfera. Dessa maneira você ainda tem um tempo enquanto ela continua a subir e leva cerca de 15 segundos até mudar o posicionamento das asas para a configuração "feather", conforme a chamamos; ou seja, quando a parte traseira da espaçonave sobe uns 65 graus. Em seguida chega-se ao apogeu, durante o qual a nave está submetida a algo muito próximo à força G zero (ausência de peso), desde a combustão completa, durante todo o caminho até o apogeu.

E então começa a cair seguindo a mesma trajetória parabólica ou balística que seguiria se fosse uma pedra. Se alguém jogasse uma pedra lá de cima, a mesma parábola seria descrita. A trajetória é balística e não há nada que se possa fazer. Se a espaçonave começa a voltar para a atmosfera, aumentando a velocidade, ela alcança quase zero no topo e ganha mais e mais velocidade. E, à medida que vai encontrando ar cada vez mais denso, a sua barriga está diretamente contra o fluxo de ar, oferencendo resistência e fazendo com que ela desacelere.


Imagem cortesia da Scaled Composites, LLC
Configuração de pouso
Isso reduz a velocidade. O piloto é submetido a 5 ou 6 Gs de desaceleração quando retorna à atmosfera. Ele suporta tal força até atingir de 50.000 a  60.000 pés, quando aciona a chave para retornar a espaçonave à sua condição normal, com a cauda na posição onde deveria estar. Ele mergulha após essa manobra e passa a voar novamente como um avião. Nesse momento a nave é um planador.

E então ele plana desse ponto de 10 a 15 minutos de volta ao aeroporto de onde decolamos, aqui em Mojave.

Na próxima seção Matthew nos conta qual é a sensação de voar na SpaceShipOne.