A evolução da simbiose

A evolução pode ser, por si só, muito surpreendente. Muitas vezes, pode parecer que as adaptações variadas e específicas usadas por muitos organismos desafiam a lógica. A simbiose só faz isso parecer mais improvável - como poderiam duas espécies separadas desenvolver características que só acontecem para que se encaixem tão perfeitamente juntas? Na verdade, muitas pessoas que questionam a evolução apontam a simbiose como "prova" de que isso não poderia acontecer naturalmente.

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Joe Stancampiano/National Geographic/Getty Images
Ilhas Cocos, Oceano Índico: arraia-manta com rêmoras

A seleção natural é a chave para compreender como a simbiose evolui. Em uma determinada população, alguns organismos terão características mais vantajosas para a reprodução do que outros. Organismos com determinadas características têm, portanto, mais probabilidade de transmiti-las ao longo de sucessivas gerações, enquanto os organismos sem essas características têm maior chance de morrer antes de reproduzir. Assim, ao longo de muitas gerações, a população tenderá a parecer mais e mais com os indivíduos com características exitosas.

O sucesso ou fracasso das características depende da pressão da população - circunstâncias que tornam mais difícil a sobrevivência do indivíduo. As características que permitem que uma criatura tire vantagem de outras formas de vida em seu ambiente terão tanto sucesso quanto as características que a permitem escapar delas (ou comê-las).

A maioria das relações simbióticas provavelmente começou como facultativa. Por muitas gerações, os organismos passaram a depender mais da simbiose porque a seleção natural favoreceu determinadas características em detrimento de outras. Eventualmente, a simbiose se tornou a única fonte de alimento, abrigo, enzima ou qualquer outra coisa que os simbiontes extraíam uns dos outros.

Uma outra maneira de olhar a simbiose é como a caixa de ferramentas da evolução. As árvores necessitam de nutrientes encontrados em solo profundo. Elas poderiam desenvolver sistemas de enraizamento mais eficientes que permitissem que elas mesmas extraíssem os nutrientes - na realidade, muitas árvores têm esse sistema. Mas isso pode tomar muito tempo (dezenas de milhares de anos ou mais) e poderia não acontecer de maneira alguma. Acontece que os fungos já têm essa capacidade. Quando as duas espécies se encontram em íntima proximidade, é mais rápido desenvolver uma maneira de incorporar a "ferramenta" já disponível para o outro organismo do que inventar outro meio.

Alguns biólogos são defensores de uma teoria conhecida como simbiogênese. Essa teoria, que tem aceitação bastante ampla, sugere que a simbiose é realmente a chave para as origens da complexa vida na Terra. Os teóricos da simbiogênese acreditam que a crescente diversidade de micróbios entrou em uma série de relações simbióticas, com diferentes micróbios desempenhando tarefas vitais para as suas existências. Essas relações desenvolveram relações estreitamente integradas de micróbios recíprocos, cada um atuando como um dente da engrenagem na máquina. Eles eventualmente desenvolveram um invólucro que abriga a todos. Os micróbios que construíram esse "time" se tornaram as partes de uma célula: mitocôndria, núcleos, ribossomos.

Besouros, morcegos, pássaros e flores

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Image Source Pink/Getty Images
Um papa-açúcar (Promerops cafer)
Muitas plantas dependem de animais para ajudá-las a conseguir pólen do estame de uma planta para o óvulo de outra planta. Essas plantas desenvolveram flores que atraem polinizadores ou pela cor ou pelo odor. Em uma relação simbiótica, a flor contém néctar, que dá ao inseto, ao morcego ou ao pássaro um benefício nutricional. Quando o animal se move para a flor seguinte para conseguir mais néctar, ele inadvertidamente carrega pólen, realizando a meta da polinização da planta. Alguns animais desenvolveram características muito especializadas, tais como bicos modelados ou trombas, para retirar o néctar com eficiência. As flores, podem ser especificamente modeladas para só permitir que certas espécies de animais tirem néctar delas. Isso permite que a planta monopolize os esforços de polinização daquele animal, já que ele não ficará voando em torno de outras espécies de planta.