Os muitos tipos de simbiose

Tradicionalmente, a simbiose é definida como uma relação mutuamente benéfica envolvendo contato físico muito próximo entre dois organismos que não são da mesma espécie. A maioria dos biólogos ainda adere a esta definição. Alguns biólogos, no entanto, consideram que qualquer relação entre espécies envolvendo freqüente contato íntimo é simbiose, não importando a qual organismo ela beneficie. Isso inclui o comensalismo, no qual um organismo se beneficia e o outro não é muito afetado, e o parasitismo, no qual um organismo se beneficia e o outro é prejudicado. Nesse artigo vamos nos concentrar na simbiose mutuamente benéfica.

Um búfalo africano com o búfaga em sua cabeça
Natphotos/Digital Vision/Getty Images
Os búfalos comem os parasitas de grandes animais como esse búfalo africano, mas eles também parasitam a si próprios, mantendo feridas abertas e beliscando as cascas

Há várias formas de simbiose. Em algumas situações, como na simbiose forçada, os organismos necessitam da relação simbiótica para poder sobreviver. Já no caso da simbiose facultativa, a relação simbiótica dá a cada organismo uma chance maior de sobrevivência, mas não é absolutamente necessária. Relações simbióticas nem sempre são simétricas - elas podem ser forçadas para certos organismos e facultativas para outros.

A parte da definição que fala de "contato físico íntimo" assume maior importância se a analisarmos mais de perto. Na maioria dos casos, isso é absolutamente objetivo - um organismo pode fazer sua morada diretamente no corpo de outro organismo, ou mesmo viver dentro dele. Mas os biólogos também consideram a relação bioquímica entre dois organismos. Se eles estiverem gerando e compartilhando enzimas, proteínas, gases ou outras substâncias químicas, também podem ser considerados simbiontes.

Os endosimbiontes vivem dentro de outro organismo. E quando dizem "dentro", os biólogos realmente querem dizer "dentro" - no meio das células ou dentro dos tecidos do corpo (como o platelminto acoel). Os endosimbiontes vivem no corpo de outro organismo (note que os organismos que vivem dentro do trato digestivo de outro organismo são considerados ectosimbiontes. Aparentemente, viver nos intestinos de alguém não qualifica uma relação como suficientemente íntima para que os biólogos os chamem de endosimbiontes).

Sem fungo, sem árvore

Sharp-scaly Pholiota (Pholiota spuarrosoides) mushroom
Rich Reid/National Geographic/
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Sharp-scaly Pholiota (Pholiota spuarrosoides) mushroom
As plantas e os fungos ocupam categorias completamente diferentes na taxonomia. Apesar disso, suas vidas são tão entrelaçadas que cerca de 90% de todas as plantas do mundo têm seus próprios “parceiros” fungos, que possibilitam que elas vivam [fonte: Wakeford]. O fungo em questão é o micorriza.

Muitas variedades de micorriza vivem em íntima associação com árvores e outras plantas, atraindo nutrientes do subsolo e fornecendo-os à árvore em troca do compartilhamento da energia (na forma de açúcares) produzida pela fotossíntese da árvore.

Os cogumelos e os cogumelos venenosos, normalmente vistos em torno das bases das árvores, na realidade são os órgãos reprodutivos de uma vasta rede de fungos subterrâneos de que as plantas se utilizam para conseguir nutrientes com mais eficiência.