Existem três métodos de semeação de nuvens: estática, dinâmica e higroscópica. A semeação de nuvens estática implica espalhar químicos como o iodeto de prata nas nuvens. O iodeto de prata forma um cristal ao redor do qual a umidade pode se condensar. A umidade já está presente nas nuvens e a função essencial do iodeto de prata é tornar as nuvens de chuva mais propícias para descarregar sua água armazenada.
A semeação de nuvens dinâmica tem como objetivo reforçar as correntes de ar verticais, que estimulam a passagem de mais água através das nuvens, resultando em mais chuva [Fonte: Departamento de Ciência Acadêmica Universidade Estadual do Colorado - em inglês]. Até 100 vezes mais cristais de gelo são usados na semeação de nuvens dinâmica. O processo é considerado mais complexo do que a semeação de nuvens estática porque depende de uma seqüência de eventos que deve funcionar adequadamente. O dr. William R. Cotton, professor de ciência atmosférica na Universidade Estadual de Colorado, desmembra a semeação de nuvens dinâmica em 11 estágios separados. Um resultado inesperado em um dos estágios pode arruinar todo o processo, tornando a técnica menos confiável do que a semeação de nuvens estática.
A semeação de nuvens higroscópica propaga sais através de chamas ou explosivos nas partes inferiores das nuvens. Os sais crescem em tamanho à medida que a água se junta a eles. Em seu site, o dr. Cotton declara que a semeação de nuvens higroscópica é bastante promissora, mas requer pesquisas adicionais.
![]() Imagem cedida por Mustafa Quraishi/Associated Press Um avião Cessna 340 modificado demonstra as chamas usadas para semear nuvens. |
Pesquisas sobre semeação de nuvens foram realizadas na Rússia, Israel, Tailândia, Caribe e África do Sul. Além disso, os cientistas australianos realizaram inúmeras experiências, descobrindo que a semeação estática não era eficaz sobre as planícies da Austrália, mas pareciam ser bastante eficazes sobre a Tasmânia.
Apesar de alguns testes serem bem-sucedidos, a semeação de nuvens ainda apresenta muitos problemas. A preocupação fundamental é: isso funciona? A semeação pode ser um problema do tipo "quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?". Teria chovido em uma determinada área sem o uso da semeação de nuvens e teria chovido menos? A semeação de nuvens também é muito dependente das condições ambientais como temperatura e composição da nuvem.
Em 2003, a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos declarou que 30 anos de estudos não produziram evidências "convincentes" de que a modificação do tempo funciona [Fonte: Things Asian - em inglês]. Por outro lado, a Sociedade Meteorológica Americana afirma que alguns estudos sobre semeação de nuvens mostram um aumento de 10% no volume da chuva [Fonte:The Edwards Aquifer Website - em inglês].
A semeação de nuvens é bastante dispendiosa, apesar de ser potencialmente mais barata do que outros projetos, como desviar rios, construir novos canais ou melhorar sistemas de irrigação. Não obstante, a sedução da semeação de nuvens pode redirecionar a atenção e os investimentos de outros projetos que poderiam ser mais promissores. Portanto, questiona-se sobre alteração do tempo. Existem algumas áreas que retiram a umidade do ar que deveria ter caído como chuva em outra região?
Apesar de as empresas de semeação de nuvens garantirem que não existe nenhum perigo, permanecem as preocupações sobre a exposição à toxicidade do iodeto de prata e da contaminação do solo. Outras questões de segurança são mais transparentes. Na China, munições instáveis danificaram propriedades e até mataram uma pessoa em maio de 2006. O governo chinês afirma que melhorou o treinamento, licenças e exercícios de segurança.
No final, a semeação de nuvens tem fortes defensores, mas permanece controversa. Apesar de o exercício ter perdido seu ímpeto nos EUA, a China está contando com sua legião de agricultores que viraram deuses do tempo para limpar os céus para a realização das cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos de 2008.
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