Normalmente, pensamos em evolução como algo que não vemos acontecer diante de nossos olhos, por isso estudamos fósseis a fim de descobrir indícios de que ela está acontecendo. A evolução sob pressão populacional extrema pode acontecer rápido a ponto de podermos testemunhá-la no período de uma vida humana.
Os elefantes africanos normalmente têm grandes presas. O marfim das presas é considerado muito valioso por algumas pessoas, de modo que, há décadas, caçadores perseguem e abatem elefantes para extrair suas presas e vendê-las (geralmente de maneira ilegal). Alguns elefantes africanos têm um traço raro - eles jamais desenvolvem presas. Em 1930, cerca de 1% dos elefantes não tinham presas. Os caçadores de marfim geralmente não abatiam esses animais porque não podiam obter marfim deles. Enquanto isso, os elefantes dotados de presas eram mortos às centenas, muitos deles antes que tivessem a chance de se reproduzir.
Os alelos que determinavam “ausência de presas” foram transmitidos ao longo de algumas gerações. O resultado é que, atualmente, cerca de 38% dos elefantes em populações modernas não têm presas [fonte: BBC News (em inglês)].
A lagarta-rosada é uma praga que devora e danifica plantas de algodão. Ela provou que a seleção natural pode agir ainda mais rápido do que as criações de engenharia genética feitas por cientistas. Algumas plantas de algodão foram modificadas geneticamente para produzir uma toxina que causa danos às lagartas-rosadas. No entanto, os animais passaram por uma mutação que os tornou imunes à toxina. Elas comiam o algodão e sobreviviam, enquanto os animais desprovidos de imunidade morriam. A intensa pressão populacional gerou ampla imunidade à toxina em toda a espécie, no prazo de apenas alguns anos [fonte: EurekAlert (em inglês)].
Algumas espécies de trevo desenvolveram uma mutação que faz com que o veneno cianeto se forme nas células da planta. Isso deu ao trevo um gosto amargo, o que o torna menos provável de ser comido. Mas, quando a temperatura cai abaixo do ponto de congelamento, algumas células se rompem, liberando o veneno das células e matando a planta. Nos climas quentes, a seleção natural beneficia os trevos produtores de cianeto, mas nas regiões de invernos frios o trevo não venenoso foi favorecido. Cada espécie existe quase exclusivamente em uma zona climática [fonte: Purves].
E quanto aos seres humanos? Estamos sujeitos à seleção natural, como as outras espécies? É certo que sim porque os seres humanos só se tornaram humanos devido a uma série de traços (como cérebros maiores, por exemplo) que conferiram vantagens aos primatas que os desenvolveram. Mas somos capazes de influenciar diretamente a distribuição de nossos genes. Podemos usar controle da natalidade, de modo que os mais “aptos” em termos de seleção natural talvez não transmitam seus genes. Usamos medicina e ciência para permitir que pessoas que não conseguiriam sobreviver além da infância não só vivam como se reproduzam. Como os animais domesticados que criam para favorecer determinados traços, os seres humanos são influenciados por uma espécie de seleção antinatural. Mas ainda estamos evoluindo.
Alguns seres humanos têm mais sucesso reprodutivo do que outros e os fatores que afetam essa equação acrescentaram uma camada de complexidade humana às interações já complicadas do mundo animal. Em outras palavras, não sabemos realmente de que maneira evoluiremos.
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