Hoje, uma grande ameaça para os anuros é o fungo quitrídeo. Ele se alimenta de queratina, um componente da pele que a torna resistente e firme. Os girinos só têm um pouco de queratina em torno da boca, mas, à medida que as rãs crescem, a pele nas solas de seus pés e em outras partes de seus corpos, que fazem contato freqüente com o chão, enrijecem-se. Assim, embora o fungo geralmente não tenha efeito sobre girinos, pode matar rãs adultas. Os pesquisadores ainda não estão seguros quanto à maneira pela qual o fungo mata as rãs. As duas teorias dominantes são a de que o fungo produz toxinas letais ou a de que a sua presença interfere na troca de oxigênio e dióxido de carbono através da pele.

Ian Waldie/Getty Images
O tratador de répteis Stuart Kozlowski inspeciona recipientes contendo rãs corroboree, no zoológico de Taronga, em Sydney, Austrália. Cerca de 130 dessas rãs, que sofrem séria ameaça de extinção, vivem em uma unidade de quarentena no zoológico. Devido ao fungo quitrídeo, os cientistas temem que essa espécie venha a se extinguir em cinco anos.
Atualmente, os cientistas acreditam que o fungo tenha surgido em uma rã africana, conhecida como platanna. Essa rã carrega o fungo em sua pele, mas não sofre danos com isso. No entanto, devido ao comércio mundial, elas se espalharam para além de seu habitat natural, carregando o fungo com elas. Cientistas de todo o mundo usaram essas rãs para pesquisas e, entre os anos 30 e 50, para a condução de testes de gravidez. Pesquisadores suspeitam que esteja agora se espalhando por meio de esporos levados pelo vento.
Os pesquisadores acreditam que cerca de 1/3 das rãs do mundo podem estar ameaçadas de extinção devido ao fungo quitrídeo. Algumas espécies já desapareceram. Não existe tratamento efetivo para o fungo, de modo que pesquisadores de todo o mundo estão tentando manter o maior número possível de espécies de rã em quarentena. Uma dessas instalações de quarentena é a Arca Anfíbia (em inglês), um projeto de US$ 500 milhões.
Ainda que o fungo quitrídeo seja um problema mundial, há maneiras de ajudar a deter sua difusão. Primeiro, relatar às autoridades responsáveis casos de rãs doentes ou de rãs que pareçam ter morrido sem motivo evidente. Segundo, jamais libertar rãs de estimação na natureza. As rãs de estimação libertadas podem procriar e sobrepujar as populações locais de rãs e também podem difundir doenças. O melhor a fazer é entrar em contato com as autoridades locais para se informar sobre o que fazer.
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Um dos motivos para importar as rãs africanas platanna eram testes de gravidez. Quando recebiam injeções de urina de mulheres grávidas, as rãs platanna macho liberavam esperma e as fêmeas produziam alguns ovos. Por cerca de 20 anos, este foi um dos métodos mais rápidos e precisos de descobrir se uma mulher estava grávida. |