A função ecológica dos sapos

As rãs desempenham papéis ecológicos em muitos ecossistemas. Elas controlam a população de insetos e servem como fonte de alimento para muitos animais de maior porte.

Para manter tudo em equilíbrio, as rãs empregam muitas ferramentas de sobrevivência. Umas fogem, outras se fingem de mortas e outras ainda incham ao serem ameaçadas. Algumas empregam sistemas de defesa ainda mais sofisticados: usam a cor como alerta ou como camuflagem. Por exemplo, a rã de quatro olhos, ou Physalaemus nattereri, tem duas pintas semelhantes a olhos perto de suas pernas traseiras. Ela exibe essas pintas aos predadores, o que a faz parecer um animal mais ameaçador.

A great blue heron eating a frog
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Uma grande garça azul comendo uma rã

As rãs também podem secretar substâncias pela pele. Algumas secreções são benéficas - pesquisadores utilizaram algumas para criar novos e poderosos antibióticos e analgésicos. Mas algumas rãs secretam toxinas tão poderosas que tocar o animal poderia ser fatal. As rãs de dardos venenosos, também conhecidas como rãs de setas venenosas, são o mais famoso exemplo. Sua toxicidade se deve, em parte, à dieta que seguem - em cativeiro, sem as formigas certas para alimentá-las, elas não são tão perigosas. Até mesmo sapos comuns podem ser tóxicos e é por isso que cachorros podem adoecer ou morrer quando comem sapos.

skinned frogs for sale
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Tina Bayden vende sapos esfolados no mercado público de Ilocos Norte, no norte das Filipinas. Na região, as rãs são considerada alimento fino.

Mas nem todas as ameaças vêm dos animais selvagens. Em muitas partes do mundo, rãs são consideradas um prato fino. Como pode ser difícil criá-las em cativeiro, isso requer que pessoas as cacem. Em algumas partes do mundo, a prática resultou em forte queda na população de rãs.

normal and deformed frogs
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Duas rãs normais entre quatro deformadas, com membros ausentes ou duplicados

Como as rãs absorvem água pela pele, elas são suscetíveis a diversas ameaças geradas pela atividade humana. Em algumas partes do mundo, a população de rãs caiu devido à destruição de habitats causada pelo desenvolvimento e pelo represamento de rios e riachos. As rãs também são sensíveis à poluição da água e à chuva ácida. Produtos químicos, resíduos de remédios e outros poluentes presentes na água podem estar causando nas rãs uma série de problemas, de membros deformados a órgãos sexuais masculinos feminizados.

O aquecimento global também pode ameaçar as rãs. Elas são animais ecotérmicos, ou seja, dependem do meio ambiente para controlar a temperatura de seu corpo. Algumas podem sobreviver a temperaturas extremas. Por exemplo, a rã dos bosques vive ao norte do Círculo Ártico. Até 45% do seu corpo se congela no inverno, então proteínas e glicose protegem os tecidos contra danos (as rãs dos bosques degelam na primavera). Outras rãs hibernam ou entram em um estado semelhante ao da hibernação, chamado estivação, para sobreviver ao calor do verão.

Mas nem todas as rãs apresentam adaptação desse tipo, de modo que a alteração climática pode afetar sua capacidade de manter o corpo na temperatura correta. Mudanças no clima mundial podem facilitar a difusão de um fungo mortífero entre as populações de anuros de todo o mundo. Na próxima seção, estudaremos esse fungo e o que os pesquisadores estão tentando fazer para detê-lo.