Segurança em torno das armas nucleares

Assim, até que ponto é eficiente a segurança em torno das armas nucleares? Os Estados Unidos (em inglês), por exemplo, normalmente empregam barreiras, guardas, câmeras de vigilância, sensores de movimento e verificações de antecedentes de pessoal em qualquer situação na qual exista um arsenal desse tipo de armas [fonte: CFR (em inglês)]. Erros humanos ou corrupção são sempre possíveis, evidentemente, de modo que nenhuma dessas precauções é infalível.

Signs posted on the gated wall around Los Alamos National Laboratory
Joe Raedle/Getty Images
Placas postadas na cerca e no portão, protegendo a principal área técnica do Laboratório Nacional de Los Alamos, informam os visitantes sobre as providências de segurança

As armas nucleares em si são protegidas por diversas medidas de segurança. Uma das principais precauções é um sofisticado sistema de segurança eletrônica conhecido como cadeia de ação permissiva, sob o qual dois códigos corretos precisam ser inseridos para acionar uma bomba. Isso emprega o princípio da "regra de dois homens", o que torna quase impossível que uma pessoa detone uma bomba sem ajuda.

Outros países talvez não disponham de segurança de primeiro nível, o que eleva o risco de que haja roubo de material. A Rússia (em inglês) vem sendo constantemente mencionada como exemplo de esforços de segurança dúbios - o fim da guerra fria e a dissolução da União Soviética complicaram a situação, porque as autoridades não conseguiram manter registros adequados.

O governo russo é notório pelo tratamento ruim que dava aos seguranças e a outros funcionários nas instalações de armas nucleares, o que incluía atrasos de salário constantes. Em lugar de irem para casa contentes, os trabalhadores poderiam se sentir tentados a ganhar dinheiro rapidamente vendendo informações secretas ou contrabandeando materiais perigosos. Os Estados Unidos também dispõem de informações limitadas sobre os dispositivos de segurança nas armas nucleares russas propriamente ditas e, por isso, não se sabe ao certo que providências os criadores dessas armas tomaram para proteger o mundo contra a detonação de um dispositivo nuclear.

Outra preocupação é o mercado negro de materiais nucleares, no qual plutônio e o urânio não enriquecido podem ser negociados. As chances de se produzir uma bomba com esse "lixo nuclear" é extremamente baixa, mas o material ainda assim pode ser utilizado nas chamadas bombas sujas - explosivos comuns que poderiam espalhar radioatividade perigosamente em caso de explosão.

Momentos de risco

Uma longa história de acidentes quase catastróficos com armas nucleares faz com que algumas pessoas imaginem se deveríamos nos preocupar mais com roubos de armas nucleares ou com manipulação negligente desse tipo de material. O Centro de Informações de Defesa aponta que, embora o número de acidentes reportados seja incerto, até mesmo o Departamento da Defesa norte-americano reconhece que "pelo menos um acidente nuclear sério ocorreu quase a cada ano", desde o início da Era Atômica [fonte: CDI (em inglês)].

Em 1965, por exemplo, um avião que estava equipado com armas nucleares e que não estava preso devidamente ao convés rolou para fora do porta-aviões USS Ticonderoga e afundou em uma região oceânica de cinco mil metros de profundidade, próxima à costa do Japão. Em outro acidente marítimo, em 1981, uma bomba nuclear que estava sendo retirada de um submarino caiu mais de cinco metros e quase atingiu o navio USS Holland. Um sistema de freio de emergência deteve a queda logo acima do casco.

Um bombardeiro B-47, em vôo sobre Mars Bluff, Carolina do Sul, em 1958, lançou acidentalmente uma bomba atômica que não explodiu, mas deixou uma cratera de 22 metros de diâmetro e oito metros de profundidade.

Um incidente na Carolina do Norte foi menos destrutivo, mas mais apavorante. Em 1961, um bombardeiro B-52 que levava duas bombas de hidrogênio de 24 megatons caiu em Goldboro, Carolina do Norte. Nenhuma das bombas explodiu, mas em uma delas apenas um dos seis dispositivos de segurança funcionou como previsto. Teria sido um desastre 1,8 mil vezes pior do que a bomba que explodiu sobre Hiroshima [fonte: Nuclear Files (em inglês)].

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