Embora a maioria dos historiadores e geógrafos ache difícil concordar com muitos aspectos do Nilo, como seu comprimento e fonte, quase todos admitem que o Egito Antigo (em inglês) nunca teria existido sem o grande corpo de água. A localização do Egito, conhecido como a terra das Grandes Pirâmides (em inglês), da Grande Esfinge (em inglês) e de outras maravilhas do mundo antigo, não é ideal para a civilização avançada. Com exceção do Nilo, o Egito é cercado por toneladas de areia, que não é muito útil para a agricultura e outras bases da civilização. Felizmente, os egípcios sabiam como usar o Nilo e seus recursos para transformar o que aparentemente seria um solo improdutivo em um império próspero.

Um ato constante da natureza permitiu que os egípcios aproveitassem os recursos do Rio Nilo. Embora a maior parte do Egito estivesse e ainda está coberta com a areia, a bacia do rio próxima ao Nilo conta com animais selvagens e solos férteis. Tudo isso se deve ao aumento e à diminuição anuais previsíveis dos níveis de água do Nilo, conhecidas como cheia (aumento) e vazante (diminuição). Durante o período de cheia, que ocorre em meados de julho, a água subia e enchia os canais feitos pelos trabalhadores egípcios. Por volta do fim de outubro, o rio começava a diminuir, deixando grandes depósitos de lodo.
A água coletada nos canais e nas bacias durante o período de cheia era suficiente para manter as colheitas no ano seguinte. Essas colheitas eram feitas em junho, antes da volta das cheias. O ciclo se repetia todo ano, embora, às vezes, produzisse mais água do que o necessário, o que tinha efeitos negativos nas colheitas.
No início de 1900, foram construídas várias represas no sul do Egito na tentativa de controlar as fortes enchentes. Embora essas represas fossem capazes de controlar os níveis das cheias, elas também diminuíam a quantidade de depósitos de sedimentos, reduzindo drasticamente a fertilidade da região. Felizmente para os fazendeiros egípcios, os fertilizantes eram comuns e eles os utilizavam para compensar a mudança da fertilidade da terra. O sistema permitia que os fazendeiros plantassem diversos produtos, incluindo o trigo e a cevada. Além de irrigar as plantações e fertilizar o solo, o período de cheia do Nilo também fornecia a água potável necessária.
O aumento e a diminuição das águas do Nilo inspiraram os egípcios antigos a vê-lo como um ciclo de morte e de renascimento. Os egípcios tiveram tanto sucesso no cultivo do Nilo que a área foi totalmente povoada. Em virtude disso, a sociedade egípcia evoluiu rapidamente, desenvolvendo seus próprios sistemas de registro, guardando, calculando e escrevendo (hieróglifos).
O Nilo não foi apenas um benefício agrícola para o Egito - foi também o caminho mais importante do país, servindo de passagem principal que favorecia os recursos de viagem e comunicação. Essa função ajudou a ligar regiões afastadas do Egito à capital, permitindo o comércio e a comunicação.
Embora a sociedade egípcia antiga finalmente tenha entrado em decadência, o Nilo continuou o seu curso. Conseqüentemente, a Grã-Bretanha assumiu o controle da bacia do Nilo no fim do século 19, embora tenha renunciado a ela posteriormente na África (em inglês), nas décadas de 50 e 60.