Como as espaçonaves reentram na atmosfera terrestre?

Autor: 
Jane McGrath

Lançar uma espaçonave é uma coisa. Trazê-la de volta é outra.

A reentrada de espaçonaves na atmosfera é um assunto complicado, por diversos motivos. Quando um objeto entra na atmosfera da Terra, fica submetido a algumas forças, entre as quais gravidade e arrasto. A gravidade puxa um objeto em direção à Terra naturalmente. Mas sozinha ela não faria com que o objeto caísse de forma perigosamente rápida. Por sorte a atmosfera terrestre contém partículas de ar. À medida que o objeto cai, ele atinge essas partículas e o atrito com elas gera fricção. Essa fricção faz com que o objeto experimente arrasto, ou resistência do ar, o que desacelera o objeto a uma velocidade de reentrada segura. 

Os objetos que entram na atmosfera da Terra enfrentam uma viagem difícil
© istockphoto.com / Snaprender
Os objetos que entram na atmosfera da Terra enfrentam uma viagem difícil

 

Mas a fricção também tem suas desvantagens. Além de causar arrasto, gera intenso calor. Especificamente, o ônibus espacial enfrenta intensas temperaturas da ordem de até 1.649° C [fonte: Hammond - em inglês]. Um projeto de fuselagem em forma rombuda ajuda a aliviar o problema do calor. Quando um objeto - com uma superfície rombuda apontando para baixo - retorna à Terra, esse formato cria uma onda de choque adiante do veículo. A onda de choque mantém o calor afastado do objeto. Ao mesmo tempo, a forma rombuda  também desacelera a queda do objeto [fonte: NASA - em inglês]. O programa Apollo, que enviou diversas espaçonaves tripuladas ao espaço e as trouxe de volta nos anos 60 e 70, tinha um revestimento ablativo especial no módulo de comando, que queimava na reentrada e com isso absorvia calor. 

Ao contrário dos veículos Apollo, construídos para serem usados apenas uma vez, os ônibus espaciais são veículos reutilizáveis de lançamento (RLVs), e por isso precisam incorporar isolamento mais duradouro. Na próxima página, estudaremos mais a fundo o moderno processo de reentrada dos ônibus espaciais.

A morte do satélite

Satélites não precisam ficar em órbita da Terra para sempre. Os velhos satélites ocasionalmente caem de volta ao planeta. Devido às condições severas de entrada, eles podem queimar furiosamente ao cair. Mas alguns são capazes de sobreviver e chegar à superfície da Terra. Nas quedas controladas, os engenheiros manipulam os sistemas de propulsão de um satélite para garantir que caia em um lugar seguro, como um oceano.