O peso da rena (em inglês) varia ao longo do ano de acordo com as estações. Logo que chega a primavera na tundra (em meados de abril) e a vida vegetal retorna, as herbívoras renas podem pastar à vontade. Como vegetarianos, a rena e o caribu (em inglês) se fartam com as gramíneas e com os arbustos que crescem na tundra. Os machos atingem o auge de seu peso (cerca de 100 quilos) em agosto [fonte: University of Alaska Fairbanks (em inglês)]. Nesse ponto, as fêmeas entram "no cio", o que significa que estão prontas para acasalar. A estação do acasalamento também é o ponto limite para as fêmeas se alimentarem, uma vez que terão de resistir a uma gravidez durante o inverno com rações mais escassas.
Quando o inverno chega e a neve cobre a tundra, a dieta das renas se restringe a um alimento, o líquen, que sobrevive aos invernos gélidos devido a sua combinação biológica única de algas e fungos. Por causa das algas, o líquen não requer muita luz solar para produzir clorofila; o material esponjoso dos fungos também resiste bem às temperaturas rigorosas.
![]() istockphotos/Andreas Gradin No inverno as renas escavam o líquido sob a neve para se alimentar |
A rena fareja o líquen por baixo da neve e usa seus cascos curvos ou a galhada para escavá-lo. Durante esse tempo, o animal mantém hábitos mais sedentários para preservar sua energia [fonte: University of Alaska Fairbanks (em inglês)]. O regime composto unicamente de líquen é o inverso da Dieta de Atkins. A planta contém grandes quantidades de carboidratos, mas nenhuma proteína. Conseqüentemente, o carboidrato fornece à rena uma fonte de energia de queima rápida que a sustenta durante o inverno. Contudo, o líquen não é um alimento particularmente substancioso e, por essa razão, as renas comem de 1,8 a 4,9 quilos de musgo por dia [fonte: Dieterich and Morton (em inglês)]. É por isso que elas acumulam peso nos meses mais quentes, quando há mais alimento para escolher. Na verdade, esses animais perdem peso gradualmente começando no outono e continuando até março [fonte: University of Alaska Fairbanks (em inglês)].
Recentemente, as mudanças climáticas ameaçaram as populações de renas e de caribus. Temperaturas mais quentes ocasionaram mais chuva e derretimento da neve nas regiões de tundra. Isso, por sua vez, resulta em lâminas de gelo se formando sobre a neve, já que a água volta a congelar. As renas e caribus não podem romper o gelo com segurança com seus cascos, levando alguns animais a definhar até a morte [fonte: Mcfarling (em inglês)].
Com sua dieta influenciada sazonalmente, a sobrevivência das renas depende do equilíbrio da natureza. Se a mudança climática afetar muito esse equilíbrio, as renas e os caribus podem se tornar relíquias zoológicas do passado.
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