Racionamento de água

As mudanças diárias na temperatura do ar se propagam no solo a partir de sua superfície, porém de forma mais lenta e amortecida. Em 2007, como resultado das temperaturas do ar mais baixas que o normal logo no início de março, o solo a 1 metro de profundidade (100 cm) teve um congelamento precoce em relação aos anos anteriores, e desde então assim permaneceu. Com as temperaturas do ar abaixo da média, e com extremos chegando a -25ºC por períodos prolongados, ocorreu o congelamento dos lagos, assim como da água no solo.

O lago sul, o menor dos dois, congelou logo em junho, depois de um trimestre (março a maio) com temperaturas do ar que se mantiveram na média de -3,5ºC, 1,8ºC abaixo da média. Há 36 anos não fazia tanto frio neste trimestre.

O lago norte, por ter maior volume de água, resistiu um pouco mais, até o final de setembro, mas as temperaturas de -8.5ºC em média do trimestre junho a agosto, com 2,6º abaixo da climatologia, fizeram com que seu congelamento se completasse.

O consumo de água durante este inverno também foi maior que a média, devido à maior população na estação, de cerca de 30 pessoas, o que facilitou o efeito do congelamento.

As baixas temperaturas do solo também contribuíram fortemente para esta situação, que atingiram o ponto de congelamento muito antes do esperado. A 120 centímetros de profundidade, o solo deveria iniciar seu congelamento por volta do dia 1º de maio, porém já estava abaixo de zero 40 dias antes, em 20 de março, e desde então não havia descongelado os primeiros dias de janeiro de 2008.

Veja, na figura abaixo, a atual situação dos dois lagos, em comparação com um ano atrás.

Foto:
Congelamento dos lagos



As figuras 3 e 4 mostram a linha de temperatura do termômetro de 100 cm de profundidade, que foi instalado no dia 28 de fevereiro deste ano junto à Torre dos Ingleses, com os outros geotermômetros do Projeto Meteorologia. Este termômetro indicou o início do congelamento em 07 de março, e o menor registro de temperatura no dia 27 de julho, quando se atingiu o valor de 7,2ºC negativos.

Figura 3 e 4:
Temperatura do ar e do solo em Ferraz - 2007


 



As temperaturas a 5 centímetros de profundidade tendem a acompanhar mais rapidamente as temperaturas do ar quando a cobertura de neve é de poucos contímetros, tanto que a menor temperatura a esta profundidade foi registrada no mesmo dia em que se registrou o recorde deste ano - em 25 de julho tivemos -24,7ºC no termômetro do abrigo meteorológico e -10,2ºC a 5 centímetros de profundidade. Os efeitos dos extremos de temperaturas, como esses descritos acima, podem levar até 3 dias para ser observados a 100 cm.

As chuvas, que poderiam ajudar no descongelamento dos lagos, este ano também ficaram abaixo da média. Entre janeiro e novembro são esperados em média 88 dias de chuva, mas houve somente 65 dias. No auge do inverno, durante os meses de julho e agosto, costumam ocorrer 10 dias de chuva, mas neste ano tivemos a metade disso.