Quando foi lançada em 1986, a estação espacial Mir, da Rússia, estava prevista para ter uma vida útil de cinco anos, mas ela provou ter mais longevidade do que todos esperavam. O dia 20 de fevereiro de 2001 marcou o 15º aniversário do lançamento da estação, mas a idade finalmente pesou para a espaçonave. A Mir enfrentou problemas técnicos e estruturais e, em novembro de 2000, o governo russo anunciou que destruiria a estação espacial.
Cortesia da NASA
A estação espacial Mir foi a jóia do programa espacial da Rússia por mais de 15 anos

O processo de desorbitagem da estação espacial Mir começou com uma nave de carga russa, a Progress. Ela foi lançada no dia 24 de janeiro de 2001, carregando o dobro de sua quantidade normal de combustível. O combustível extra foi usado para acionar os manobradores da Progress e impulsionar a estação de 137 toneladas em uma descida controlada através da atmosfera da Terra.

História da Mir
  • 20 de fevereiro de 1986: a Mir é lançada em órbita.
  • 1991: a Mir supera sua expectativa de vida original de cinco anos.
  • 1995: a Atlantis se torna o primeiro ônibus espacial dos EUA a se acoplar com a Mir.
  • 1997: ocorre um incêndio na estação e a nave de carga bate no módulo Spektr.
  • 1998: a Rússia lança seu primeiro módulo para a ISS (Estação Espacial Internacional).
  • 2000: a MirCorp, empresa holandesa, investe milhões para transformar a Mir em um destino para o turismo espacial. Em novembro desse mesmo ano, a Rússia anuncia que destruirá a estação.
  • 23 de março de 2001: a Mir se desintegra.

A descida da Mir foi realizada em etapas. O primeiro acionamento dos manobradores da Progress levou a Mir de sua altitude original de cerca de 315 quilômetros para uma altitude próxima de 230 quilômetros. Naquele momento, a Mir realizou uma descida lenta. Quando ela alcançou a altitude de cerca de 217 quilômetros, no dia 23 de março de 2001, uma sexta-feira, a Progress acionou seus monobradores em algum lugar sobre o Afeganistão e enviou a Mir para as camadas mais espessas da atmosfera da Terra. Quando a estação alcançou cerca de 80 quilômetros acima de sua superfície, grande parte da nave espacial se desintegrou e queimou. Os pedaços que ainda restaram da estação colidiram com o Pacífico Sul a cerca de 3.000 quilômetros a oeste da Nova Zelândia. Foram cerca de 30 minutos entre o momento da entrada da estação na atmosfera e o momento em que ela colidiu com o oceano.

A Rússia decidiu destruir a Mir porque o desgaste e avarias que a estação enfrentou nesses 15 anos a tornaram inadequada para outras missões. Sua destruição também atrasou os planos de turismo espacial da MirCorp (em inglês), empresa holandesa que planejou enviar um milionário para a Mir. Um oficial russo disse que a estação estava em condições tão precárias que ela cairia em desórbita descontrolada a qualquer momento. Além disso, a Rússia planejava concentrar sua atenção e investimento na Estação Espacial Internacional Alpha (a construção dessa estação espacial está sendo realizada por um consórcio de 16 países).

A idéia de destruir a Mir começou quando um incêndio ocorrido a bordo da espaçonave, em fevereiro de 1997, foi seguido por uma colisão quase fatal com uma nave de carga não-tripulada, em junho do mesmo ano. Desde então, a Mir passou por uma série de problemas técnicos e estruturais. Em dezembro de 2000, a Agência Espacial Russa perdeu contato com a estação espacial por mais de 20 horas.

Apesar da promessa dos oficiais russos de que a Mir sairia de órbita em segurança, o processo de desorbitagem de uma espaçonave nem sempre ocorre como o planejado. Em 1978, a Rússia desorbitou um satélite que terminou voando descontrolado e colididindo no noroeste do Canadá. Ninguém se feriu com a colisão, mas fragmentos radioativos foram espalhados sobre uma ampla área desabitada. Um ano depois, os EUA enfrentaram problemas similares quando a Skylab inesperadamente saiu de órbita e entrou em uma descida descontrolada. A espaçonave colidiu no lado ocidental da Austrália. Pedaços de destroços se espalharam por todo o interior do país, alguns deles pesando até 816 quilos. Novamente ninguém se feriu, mas isso mostrou a necessidade de aperfeiçoamento das técnicas de desorbitagem para espaçonaves não-tripuladas.

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