Dursban é um produto que contém a substância química clorpirifós. Clorpirifós é uma das classes de substâncias químicas conhecidas como organofosfatos. São substâncias complexas, amplamente usadas como pesticidas na agricultura. A EPA - U.S. Environmental Protection Agency - Agência de Proteção Ambiental dos EUA (em inglês) calcula que aproximadamente 30 milhões de quilos de organofosfatos serão aplicados em cerca de 60 milhões de acres de plantações nos Estados Unidos este ano. O Dursban também é utilizado em aerossóis de pesticida para uso residencial e institucional, inclusive nos aerossóis usados por exterminadores profissionais. Em ambientes residenciais, o clorpirifós é usado em tratamentos contra cupins e em cuidados com a grama. Você irá encontrar outros organofosfatos nos pesticidas de sua casa ou no centro de jardinagem local.


Esta figura mostra como o neurotransmissor acetilcolina funciona nos nervos. Os organofosfatos interferem na enzima que controla a acetilcolina.

O Dursban e outros inseticidas com organofosfato agem interrompendo o processo eletroquímico que os nervos utilizam para se comunicar uns com os outros e também com os músculos. Uma substância química essencial na comunicação entre as sinapses é a acetilcolina, um tipo de substância chamada de neurotransmissor. Ela é produzida pelo corpo, usada para "disparar" o neurônio e, em seguida, inibida por uma enzima chamada colinesterase.

As enzimas agem se unindo a substâncias químicas específicas em um processo muitas vezes ilustrado como uma chave entrando em uma fechadura (veja Como funcionam as células para obter mais informações sobre enzimas). Em uma ação do nervo que está funcionando normalmente, a acetilcolina passa o sinal (dispara) entre um neurônio e outro ou entre um nervo e um receptor muscular. Em seguida, a colinesterase se junta à acetilcolina, permitindo que os nervos relaxem. O Dursban modifica a colinesterase, impedindo que ela inative a acetilcolina. À medida que a acetilcolina aumenta, os músculos do corpo são cada vez mais estimulados, o que resulta em paralisia e morte.

Os organofosfatos foram desenvolvidos em 1800, mas seus efeitos sobre os animais só foram descobertos no início da década de 30. Esses efeitos foram utilizados durante a Segunda Guerra Mundial, quando os organofosfatos foram usados como princípios ativos de gás nervoso em armas químicas. O Dursban e outros organofosfatos são altamente tóxicos para os mamíferos, pois possuem uma característica química que faz com que eles se dissipem bem devagar quando introduzidos no corpo. Os sintomas de envenenamento por organofosfato começam com um excesso de excitabilidade e agitação e, em seguida, passam para convulsões, paralisia e morte.

Então, por que o Dursban não afeta o fazendeiro quando ele está pulverizando seus campos contra os insetos? A resposta é a dosagem letal. A dosagem letal da maioria das substâncias é baseada no peso do animal que a ingere. Uma pessoa adulta pesa muito mais do que, por exemplo, uma barata; então, uma dose de Dursban fatal para um inseto estará abaixo do nível que provoca um efeito perceptivo em um ser humano. Porém, com uma dosagem em um nível suficiente, a substância que mata insetos terá o mesmo efeito sobre o homem. Esse é um dos motivos pelos quais os serviços de jardinagem avisam aos donos da casa de que é necessário manter os animais de estimação e as crianças longe da grama depois que ela foi tratada contra insetos. Como as crianças e os animais possuem pesos corporais mais baixos que os dos adultos e costumam caminhar mais próximos do solo, é possível que aspirem uma dosagem de inseticida suficiente para causar algum efeito, ao passo que os adultos estão "acima" do nível de toxicidade em razão de seus pesos e alturas.

A EPA exigiu a eliminação progressiva do uso de Dursban nos Estados Unidos. O pesticida foi removido das prateleiras das lojas de varejo e seu uso havia sido reduzido para aplicações comerciais específicas até 2002. A eliminação progressiva foi exigida primeiramente por causa de preocupações ambientais em relação aos mamíferos e animais marinhos e também para reduzir os riscos de exposição a crianças.

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