Como os cangurus se deslocam

Observe de perto o pé traseiro de um canguru (em inglês) e perceberá que os dedos dele não são simétricos como os humanos. Em lugar disso, os cangurus têm um quarto dedo ampliado em cada pé. Começando da parte interna do pé, o primeiro dedo do canguru é pequeno e pode nem existir [fonte: Myers - em inglês]. O segundo e o terceiro são pequenos e parecem fundidos, ainda que as unhas sejam separadas. As coisas ficam mais interessantes quando chegamos ao quarto, porque é ele que responde pelos saltos. O osso da perna de um canguru se alinha com seu dedo desproporcional, permitindo que este impulsione o pé nos saltos. De acordo com o que fósseis permitem distinguir, essa adaptação do quarto dedo estendido precedeu o salto do canguru [fonte: Flannery - em inglês]. O quinto dedo oferece apoio e empuxo adicionais ao salto, igualmente.

Deixando de lado o pé e observando as patas traseiras, chegamos ao centro de força dos saltos do canguru. Os fortes e elásticos tendões das pernas armazenam energia para os saltos. Imagine estar sentado sobre uma mola. Caso você use seu peso para comprimi-la  ao máximo, obterá um empuxo considerável ao relaxar. Da mesma maneira, sempre que os pés do canguru atingem o chão, seus tendões se comprimem para reunir energia elástica que permite que o animal seja impulsionado. 

Canguru

 ©iStockphoto.com/Sharon Day
Cangurus no zoológico de Kansas, EUA

Para estabilizar esse movimento, a cauda considerável do canguru age como contrapeso para os pés traseiros. Caso você assista aos saltos de um canguru em câmera lenta verá que a cauda se move para encontrar os pés em pleno ar. Quando o  marsupial (em inglês) aterrissa, a cauda se eleva. Ao  variar dessa posição horizontal, quando os pés estão no chão, para uma posição quase vertical, o impulso da cauda para baixo ajuda a propelir a ascensão do canguru. Esse efeito de contrapeso é semelhante ao que surge quando duas pessoas usam uma gangorra.

Reunindo todos esses fatores, o que obtemos? O canguru vermelho avança em velocidades entre 24 km/h e 32 km/h. Um único salto pode impulsioná-lo por 7,6 m em distância e 1,8 m em altura. Um trampolim pode ser a única forma de uma pessoa experimentar o modo de deslocamento dos cangurus.

E para que serve essa aeróbica australiana? O objetivo é conservação de energia. Para descobrir por que exatamente os cangurus saltam, o pesquisador Terence Dawson os atrelou a esteiras rolantes e mediu sua velocidade e dispêndio de energia [fonte: Flannery - em inglês]. O resultado? Em velocidades mais elevadas, os saltos dos cangurus estão entre os meios mais eficientes de viagem terrestre no reino animal [fonte: Dawson - em inglês].

O ponto é que, quando os cangurus aceleram, não aumentam a freqüência de seus saltos, mas a distância. Quanto maior a distância saltada, mais energia eles acumulam nos músculos e tendões quanto pousam. Com um coração duas vezes maior que o de mamíferos de dimensões comparáveis, o canguru dispõe de resistência física natural já muito elevada [fonte: Flannery - em inglês]. Mesmo seus sistemas respiratórios operam mais efetivamente durante esse exercício. O movimento de saltar e pousar faz com que seus músculos estomacais se contraiam e expandam, forçando o ar para dentro e para fora de seus pulmões sem que eles precisem gastar energia adicional para isso.

Em velocidades mais baixas, porém, a eficiência se reduz [fonte: Dawson - em inglês]. Quando um canguru precisa se alimentar ou se mover lentamente, usa a cauda como quinta perna, apoiando-se nela e avançando com a ajuda das suas patas da frente mais curtas, em um ato conhecido como caminhada pentapedal [fonte: Dawson - em inglês]. Os cangurus não andam de quatro porque, exceto ao nadar, não conseguem mover suas patas traseiras separadamente  [fonte: Myers].

Mas por que caminhar quando você pode saltar, não é?

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