Além do nosso sistema solar

Autor: 
Kevin Bonsor

O Departamento de Energia dos EUA também está trabalhando em planos para um reator nuclear espacial para a NASA. Goodwin acredita que esse reator possa ser usado para gerar energia para o sistema de propulsão eletromagnética. O Departamento de Energia está trabalhando para obter fundos da NASA e um reator de 300 Kw pode estar pronto em 2006. O sistema de propulsão seria configurado para converter a energia térmica gerada pelo reator em energia elétrica.

"Para viagens ao espaço profundo, como Marte e além, será necessário usar energia nuclear se você quiser mover qualquer massa", disse Goodwin.

O reator gerará energia por meio do processo de fissão nuclear induzida, que gera energia dividindo átomos (como átomos de urânio 235). Quando um átomo é dividido, ele libera grande quantidade de calor e radiação gama . Uma libra, ou 450 gramas, de urânio altamente enriquecido, como o usado em um reator nuclear de submarino ou em um porta-aviões nuclear, tem energia equivalente a 3,8 milhões de litros de gasolina. 450 gramas de urânio tem o tamanho de uma bola de beisebol, de modo que pode gerar energia para uma espaçonave por logos períodos de tempo sem ocupar muito espaço. Esse tipo de espaçonave propelida eletromagneticamente por energia nuclear seria capaz de atravessar grandes distâncias.

A energia térmica de um reator nuclear seria convertida em eletricidade para alimentar a espaçonave. Aqui vemos um núcleo de urânio 235 sendo dividido por fissão induzida.

"Você não pode ir até a estrela mais próxima, mas pode executar missões até a heliopausa", disse Goodwin. "Se funcionar muito bem, atingirá velocidades de até 1% da velocidade da luz. Mesmo a essa velocidade, levaria centenas de anos para atingir a estrela mais próxima, o que ainda não é prático".

A heliopausa é o ponto em que o vento solar do sol se encontra com o vento solar interestelar gerado por outras estrelas. Ela fica a cerca de 200 unidades astronômicas (UA) do Sol (o local exato da heliopausa é desconhecido). Uma UA é igual à distância média do Sol à Terra, ou cerca de 150 milhões de km. Para fins de comparação, Plutão está a 39,53 UAs do Sol.

Para mover pessoas, teria que ser construído um dispositivo muito maior, mas o propulsor eletromagnético de 30,5 cm de diâmetro, 91,4 cm de altura pode levar uma pequena sonda não tripulada a distâncias muito grandes. O sistema é muito eficiente, de acordo com Goodwin e gera muita potência por meio de um supercondutor. O problema é saber se os cientistas conseguem converter essa potência em propulsão sem destruir o magneto. É provável que as vibrações muito rápidas levem o magneto ao limite de sua resistência.

Os céticos com tal sistema dizem que tudo o que Goodwin conseguirá é vibrar o magneto muito rapidamente, mas que não irá a lugar algum. Goodwin admite que ainda não há evidências de que o sistema de propulsão irá funcionar. "É altamente especulativo e mesmo em meus dias mais otimistas, creio que haja uma chance em dez de que funcione", disse Goodwin. Certamente, há 100 anos, as pessoas acreditariam que havia muito menos chances mesmo de irmos ao espaço.