SETI@home

Em 1999, Dan Werthimer e David P. Anderson, cientistas da Universidade da Califórnia, em Berkeley, trabalharam no projeto SERENDIP e reconheceram que a capacidade de computação disponível era um fator limitante para a análise dos dados da antena de  Arecibo usados pelo SERENDIP. Em vez de usarem um ou mais supercomputadores para analisar os dados, muitos computadores menores poderiam ser empregados para analisar pequenas quantidades de dados pela Internet. Visualizaram um programa protetor de telas denominado SETI@home que poderia ser baixado pela Internet da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e instalado no computador doméstico do participante. O programa pode trabalhar como programa residente ou como protetor de telas.

O projeto funciona assim:

  1. os dados são coletados na antena de Arecibo em Porto Rico onde o projeto SERENDIP está atualmente sendo executado;
  2. os dados são armazenados em fita ou disco, juntamente com anotações sobre as observações referentes à data, tempo, coordenadas celestes e notas sobre o equipamento de recepção;
  3. os dados são divididos em pequenos lotes (cerca de 107 segundos cada bloco) para uso dos PCs domésticos;
  4. o programa SETI@home no PC do participante baixa um lote de dados dos servidores do computador na Universidade da Califórnia, em Berkeley;
  5. o PC do participante analisa o lote de dados baixado de acordo com os algoritmos existentes no programa SETI@home. São necessárias de 10 a 20 horas para a análise dos dados, dependendo do processador do computador e do tamanho da memória;
  6. ao final, o PC do participante transfere os resultados para os servidores de Berkeley tendo assinalado os possíveis achados da análise feita;
  7. depois de processar os dados, o PC do participante pede nova quantidade do servidor e o processo continua.
O protetor de tela é dividido em três seções: a janela de análise dos dados (em cima, à esquerda), as informações do usuário e dos dados (em cima, à direita) e o gráfico de freqüência/potência do sinal/tempo à medida que a análise vai transcorrendo (embaixo). O lote de dados é analisado depois que os dados são distribuídos por muitos canais mediante uma técnica matemática chamada Transformada Rápida de Fourier (em inglês: Fast Fourier Transform - FFT). Como os dados são randômicos, em todos os canais o sinal é o mesmo. Se houver um pico de sinal, um ou mais canais FFT ficarão em evidência, acima de um determinado limiar de potência do sinal. A seguir, o programa verifica se a freqüência de um dos picos muda ligeiramente para outra - essa mudança seria causada pela rotação da Terra e indicaria que o pico tem origem extraterrestre. Finalmente, como a antena de Arecibo é estacionária - isto é, não rastreia os objetos juntamente com a rotação da terra - um sinal ET flutuaria sobre a superfície do disco, da margem para o centro, e um gráfico do pico ao longo do tempo seria semelhante a uma curva boca-de-sino (gaussiana). O programa executa testes para verificar se o pico é ajustável a esta curva. Se esses critérios forem atendidos, o programa assinala a informação para que seja analisada posteriormente pela Universidade da Califórnia, em Berkeley.


Análise dos dados da janela SETI@home

A seção de informações do usuário e de dados da tela contém anotações sobre as observações obtidas do lote de dados, além das notas do usuário.


Seção de informações do usuário e de dados da tela do SETI@home


Janela gráfica da tela do SETI@home

A tela gráfica possibilita aos usuários acompanharem o progresso da análise. O programa anota todos os picos observados e repassa essas informações para a Universidade da Califórnia, em Berkeley, para mais análises. Cada conjunto de dados é processado por dois usuários, como forma de certificação. Se um pico passar pelos critérios empregados para considerá-lo como sinal, outros projetos SETI examinarão as coordenadas mais detalhadamente para confirmação da descoberta.

Com o SETI@home, um computador e uma conexão na Internet, qualquer pessoa pode participar do programa SETI. Atualmente o site do SETI@home na Internet tem um milhão de acessos e 100 mil visitantes por dia.