![]() Foto cedida pelo U.S. Department of Defense A ilha do USS Abraham Lincoln |
O topo da ilha é equipado com um conjunto de antenas de comunicação de radar, que mantém o acompanhamento de navios e aeronaves à sua volta, intercepta e bloqueia sinais de radar inimigos, enquadra mísseis e aeronaves inimigas e recebe sinais telefônicos de satélite e de TV, dentre outros. Logo abaixo fica o controle de vôo primário, ou torre. Na torre, o oficial aéreo e o ajudante do oficial aéreo (conhecidos como "chefe de ar" e "mini chefe") dirigem todas as atividades das aeronaves no convés de vôo e em um raio de 8 km.
![]() Foto cedida pelo U.S. Department of Defense O cenário agitado da torre |
O chefe de ar e o mini chefe, ambos aviadores experientes, possuem um complexo de computadores e equipamentos de comunicação para acompanhar tudo que se passa. Contudo, eles obtêm muita informação só de olhar pelas janelas, seis andares acima do convés de vôo. Quando uma aeronave em aproximação atinge 1,2 km do navio, o oficial sinalizador de pouso assume o controle para orientar o procedimento de pouso. No mesmo nível da Torre, tripulantes e visitantes podem caminhar no vulture's row (passarela dos abutres), uma passarela com grande visão de todo o convés de vôo.
No nível imediatamente abaixo fica situada a ponte, o centro de comando do navio. O comandante (capitão), em geral, dirige (controla) seu navio de uma confortável cadeira de couro circundada de telas de computadores. O comandante dá ordens ao timoneiro, que é quem de fato navega o porta-aviões, ao operador do telégrafo de manobra, que informa à praça de máquinas as velocidades necessárias para controlar o navio, ao contramestre de serviço, que mantém acompanhamento sobre todas as informações sobre a navegação, e a vários vigias e pessoal de apoio. Quando o comandante não está na ponte, ele coloca um oficial de serviço a cargo das operações.
![]() Foto cedida pelo U.S. Department of Defense O capitão David Logsdon comanda o USS Harry Truman do convés de vôo |
![]() Foto cedida pelo U.S. Department of Defense O operador do telégrafo de manobra (à esquerda) com o timoneiro no USS Theodore Roosevelt |
Algo interessante é que muitos comandantes de porta-aviões são antigos pilotos de aeronaves da Marinha, e portanto têm completo entendimento das operações do convés de vôo. Entretanto, enquanto eles estão no comando de um porta-aviões são proibidos de entrar no cockpit para pilotar um avião.
Assim como a torre, a sala de comando é equipada com um conjunto de monitores, inclusive receptores de GPS e muitas telas de radar. Contudo, o comandante e sua equipe ainda confiam plenamente nos seus próprios olhos para acompanhar a atividade que se desenvolve em torno do navio.
Abaixo da ponte encontra-se a central de bandeira, um centro de comando do almirante encarregado de todo o grupo aéreo embarcado. Imediatamente abaixo, existem vários centros operacionais, incluindo o controle de manobra do convés e a sala de operações de lançamento. Nesse pequeno espaço sem janelas, o oficial de manobra (também chamado de handler ou mangler) e sua guarnição acompanham toda a movimentação de aeronaves no convés de vôo e no hangar. A ferramenta principal de controle do oficial de manobra é a "Ouija Board", uma mesa de plástico de dois níveis que reproduz o convés de vôo e o hangar. Cada aeronave é representada por um modelo em escala. Quando uma aeronave real se move de um ponto para outro, o oficial de manobra movimenta o modelo correspondente. Quando a aeronave está indisponível, por necessidade de reparo, o oficial de manobra vira o modelo de cabeça para baixo.
![]() Foto cedida pelo U.S. Department of Defense Membros da tripulação do USS George Washington em volta da "Ouija Board" |
Existem vários centros de controle abaixo do convés, incluindo o centro de controle de tráfego aéreo (CCTA), que engloba vários compartimentos no convés da cozinha (logo abaixo do convés de vôo). Assim como um centro de controle de tráfego aéreo baseado em terra, o CCTA de bordo é equipado com todos os tipos de equipamentos de radar e de rádio, que os controladores utilizam para manter o acompanhamento das aeronaves na área (neste caso, especialmente, as aeronaves fora do controle do chefe de ar).
O CCTA fica próximo ao centro de controle de combate (CCC), que é o centro de comando de combate do navio. A responsabilidade principal do CCC é processar as informações sobre as ameaças inimigas, mantendo o comandante totalmente informado.
![]() Foto cedida pelo U.S. Department of Defense Uma controladora de tráfego aéreo a bordo do USS Kitty Hawk |
![]() Foto cedida pelo U.S. Department of Defense Um especialista em guerra anti-submarino a bordo do USS Carl Vinson monitora atividades no Golfo Pérsico |
O hangar
A guarnição do convés de vôo pode manter um pequeno número de aeronaves no convés, mas não há espaço suficiente para as 80 a 100 aeronaves embarcadas em um porta-aviões comum. Quando não está em uso, a maior parte dos aviões é guardada no hangar, a "garagem" do porta-aviões.
O hangar está localizado dois conveses abaixo do convés de vôo, logo abaixo do convés da cozinha. O hangar tem 34 metros de largura, 8 metros de altura e 210 metros de comprimento, mais de dois terços do comprimento total do navio. Ele pode receber mais de 60 aeronaves, bem como motores sobressalentes, tanques de combustível e outros equipamentos pesados, em quatro zonas separadas por portas deslizantes (uma precaução de segurança para impedir que um incêndio se alastre).
![]() Foto cedida pelo U.S. Department of Defense O convés do hangar no USS Dwight D. Eisenhower |
O hangar possui a altura de três conveses e é circundado por vários compartimentos em ambos os lados. Também existem quatro grandes elevadores em volta do hangar, que movimentam as aeronaves do hangar para o convés de vôo. Os elevadores hidráulicos de alumínio de alta velocidade são grandes e potentes o suficiente para levantar dois caças a jato de 34 toneladas.
![]() Foto cedida pela U.S. Navy Um dos elevadores hidráulicos no USS George Washington, baixado ao nível do convés do hangar |
Atrás do hangar, na popa do navio, encontram-se as oficinas da Divisão de Manutenção Intermediária de Aeronaves (DMIA). Os homens e mulheres dessas oficinas ficam constantemente reparando e testando equipamentos de aeronaves para manter o esquadrão em condições de força total. Bem no final do navio, as oficinas da DMIA conduzem a uma área de teste de motores aberta no tombadilho do navio. Esse é o único lugar no navio onde a equipe de manutenção pode acionar com segurança motores a jato para verificar se estão funcionando corretamente.
![]() Foto cedida pela U.S. Navy Teste de um motor de F-14 no tombadilho do USS Kitty Hawk |
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Vida a bordo
O super porta-aviões moderno é conhecido como uma "cidade no mar". Com cerca de 5 a 6 mil pessoas trabalhando, descansando, comendo e dormindo a bordo por meses. Entretanto, ele não é feito qualquer cidade que se encontra em terra firme.
![]() Foto cedida pelo U.S. Department of Defense Membros da tripulação do USS George Washington lavam o convés de vôo |
Para aqueles que se iniciam, a maioria dos residentes quase não tem a oportunidade de ver o mundo lá fora. O convés de vôo, o hangar e o tombadilho oferecem uma vista espetacular do mar e do céu, mas eles ficam tão congestionados e perigosos que somente algumas pessoas podem ter acesso a eles durante as operações normais. Os níveis mais altos da ilha são bastante seguros, mas operações sigilosas e espaço limitado significam que não é possível a movimentação de muita gente. Um marinheiro que trabalha abaixo do convés pode passar semanas e semanas sem ver a luz do dia.
As condições por todo navio são mais limitadas que as de uma cidade normal. Para ir de um lugar a outro, as pessoas têm que subir escadas quase verticais e se espremerem para conseguir passar pelos corredores estreitos. Os dormitórios são extremamente apertados. O pessoal alistado divide um dormitório com cerca de 60 pessoas, todas ocupando camas individuais, geralmente chamadas de macas, amontoadas em grupos de três. Cada pessoa tem direito a uma cesta e a um armário com cadeado para colocar suas roupas e pertences pessoais. Todos dividem o banheiro com outras pessoas e uma pequena área comum com televisão ligada à transmissão por satélite do porta-aviões. É claro que os oficiais prefeririam ter um espaço maior e uma mobília melhor, mas como o espaço é pequeno eles têm que se acostumar.
![]() Foto cedida pelo U.S. Department of Defense Prática de tiro a bordo do USS Independence |
![]() Foto cedida pela U.S. Navy A festa de Ano Novo de 2001 no hangar do USS Theodore Roosevelt |
As ocupações variam bastante, assim como em uma cidade. Aproximadamente 2.500 homens e mulheres trabalham na ala aérea, o pessoal que de fato voa e cuida das aeronaves. Outras 3 mil pessoas ou mais formam a tripulação do navio, responsável pelo funcionamento de todas as partes do porta-aviões. Isso inclui tudo, desde lavar louça e fazer a comida até lidar com armamentos e realizar a manutenção dos reatores nucleares.
O navio dispõe de tudo aquilo que seus residentes precisam para viver, mesmo que não seja de maneira tão confortável como eles gostariam. Existem várias cozinhas e refeitórios a bordo, que em conjunto servem algo em torno de 18 mil refeições por dia. O navio também possui uma lavanderia grande o suficiente para atender a todos, consultórios dentários e médicos, várias lojas e muitos telefones para as pessoas poderem contatar suas famílias via satélite.
![]() Foto cedida pela U.S. Navy Marinheiros ligando para casa a bordo do USS Harry S. Truman |
A vida a bordo de um porta-aviões é sem dúvida cansativa e difícil, mas também pode ser emocionante, principalmente para os homens e mulheres que trabalham no convés de vôo, orientando os aviões. Seja bom ou ruim, não existe lugar igual na face da Terra.
Para maiores informações sobre os porta-aviões, inclusive sua história fascinante e seu possível futuro, acesse os links da próxima página.