Os polvos em cativeiro oferecem aos pesquisadores uma excelente oportunidade de aprender mais sobre suas personalidades. A pesquisa sobre o polvo é ainda relativamente nova devido à natureza solitária do animal. É bem aceito entre os pesquisadores que o polvo é uma criatura inteligente - há muitas histórias dos polvos que conseguem escapar de seus aquários para sondar caixas de comida abertas e dos que aprendem a solucionar labirintos ou pegar bolas vermelhas em contraposição a bolas brancas [fonte: Stewart]. Mas eles têm personalidade?
Depois de ouvir que algumas personalidades interessantes ganharam nomes no Seattle Aquarium - uma prática geralmente reservada somente às espécies mais avançadas - a bióloga marinha Jennifer A.Mather quis descobrir a resposta. Desse modo, Leisure Suit Larry, um polvo particularmente sensível ao toque; Emily Dickinson, um recluso; e Lucretia McEvil, que destruiu o interior de seu tanque, tornaram-se o ponto de partida para um estudo revelador.
![]() Norbert Wu/Getty Images Um polvo bimaculóide se mistura ao seu ambiente imitando o movimento da água marinha |
A personalidade é uma coisa difícil de se provar, mas Mather e o biólogo marinho Roland C. Anderson especificaram um método para o estudo: eles poderiam identificar um número de características da personalidade e então classificar cada animal em relação a cada uma delas. Eles expuseram 44 polvos vermelhos a três diferentes situações por sete vezes, cada uma por um período de duas semanas. Os polvos mostraram personalidade? A resposta foi um retumbante sim.
No total, os polvos do teste exibiram 19 comportamentos distintos, que os pesquisadores classificaram em três grupos - atividade, contenção e reatividade. Emily Dickinson, por exemplo, poderia ser classificada como baixa em atividade, alta em contenção e baixa em reatividade, porque ela gostava de ficar em seu esconderijo de qualquer forma. Você encontra mais sobre o estudo de personalidade na edição de Fevereiro de 2007 da Natural History.
Mather e Anderson descobriram que os polvos também aplicam sua inteligência a situações práticas. Eles queriam ver se um polvo mudaria seus hábitos alimentares quando oferecidos diferentes tipos de presas. O que faria um polvo se encontrasse um molusco difícil de abrir, por exemplo? Anderson e Mather deram aos polvos moluscos que normalmente são simples para abrir, mas amarraram os moluscos fechados. Para não fracassarem, os polvos simplesmente passaram a perfurar a concha para chegar à carne suculenta. Os dois cientistas também observaram que após apenas algumas tentativas fracassadas, os jovens polvos gigantes do Pacífico rapidamente aprenderam como perfurar eficientemente perto do centro de um molusco para chegarem à carne [fonte: Mather]. |
O óbvio interesse da comunidade científica no polvo ressalta as fascinantes qualidades da criatura. Não deixe de clicar nos links da próxima página para ver algumas filmagens de polvos em ação.