O polvo vive a maior parte de sua vida solitário em um esconderijo, saindo à noite para caçar. Por razões não claramente compreendidas, ele geralmente gosta de buscar uma nova casa a cada uma ou duas semanas. Os esconderijos dos polvos são normalmente sob uma pedra ou em uma fenda. Mas o animal pode viver até mesmo dentro de uma garrafa velha e descartada no solo do oceano.
![]() Chris Newbert/Getty Images Polvo fêmea usa uma jarra como seu esconderijo |
Quando se aventura fora do esconderijo, o polvo usa diferentes métodos para se locomover. O método preferido de locomoção para muitos polvos é um tipo de caminhada. Fileiras de ventosas na parte de baixo de cada tentáculo permitem que o polvo se mova ao longo do solo do oceano. Como seus tentáculos são altamente sensíveis - cada ventosa tem até 10 mil neurônios - o polvo pode aprender muito sobre as redondezas e pode até encontrar casualmente um alimento saboroso.
Mas o polvo pode nadar a velocidades muito mais altas, se necessário. Quando ele quer fazer uma fuga rápida, ele capta água para dentro de seu manto e depois ele o fecha para prender a água. Em seguida ele expele a água armazenada vigorosamente através do funil, o que o propulsiona na direção oposta em velocidades de até 40 km/h. Usando esse método (muito parecido com encher um balão com ar e depois deixá-lo voar), o polvo pode mudar sua direção apontando seu funil para um caminho diferente.
Os mais raros, mais primitivos e menos pesquisados polvos-de-orelhas (barbatanas) - cirrata - podem também usar suas nadadeiras para se locomover. Freqüentemente combinam o uso das nadadeiras com o método de propulsão. No entanto, pouco sabemos sobre o cirrata porque ele vive em águas muito profundas. A maioria dos artigos trata dos polvos mais comuns, sem barbatanas (incirrata).
Se um polvo não está ocupado em sua própria defesa, as chances são de que ele esteja procurando uma refeição. O polvo usa uma variedade de técnicas para capturar e consumir presas. Seus longos e flexíveis tentáculos são ideais para entrar em fendas atrás de caranguejos e camarões saborosos e seus corpos macios são capazes de se comprimir para dentro de espaços estreitos atrás de pequenos peixes ou moluscos.
![]() Visão aproximada do bico e partes da boca |
Embora o polvo não tenha dentes na acepção padrão, ele tem vários outros métodos tão efetivos quanto os dentes para rachar crustáceos e moluscos. Dentro de sua boca, ele tem um forte bico retrátil similar ao do papagaio. Esse bico é útil para quebrar conchas de moluscos e rasgar a carne. Ao lado do bico está a rádula, uma língua farpada que o polvo usa para raspar um animal para fora de sua concha uma vez que ela esteja aberta. E se essas "ferramentas" não derem conta do recado, o polvo também tem um órgão coberto de dentes chamado papila salivar que ele pode usar para furar as conchas. A secreção corporal da papila também corrói a concha e enfraquece a presa de modo a ser consumida.
Um dos métodos preferidos dos polvos para capturar presas enquanto nada é envolvê-las na teia de pele entre seus tentáculos como se as capturasse com uma rede. Depois ele devora a presa com o bico.
A despeito dos esforços exigidos para um polvo conseguir uma refeição, muitas espécies crescem e ganham peso rapidamente. A seguir, veremos porque isso acontece - e como os adultos lidam com o acasalamento sem que todas as suas pernas fiquem pelo caminho.