A inteligência do polvo: o complexo sistema nervoso

Como você pode perceber, baseado nas habilidades em camuflagem e na capacidade de evitar predadores, o polvo possui um sistema nervoso bem desenvolvido, bem como órgãos sensoriais complexos. Seus olhos, por exemplo, são similares aos nossos e possuem íris, pupila, cristalino e retina. O polvo é excelente na identificação de presas e no alcance do ponto exato para fisgá-las.

Olhos inspiradores

Os olhos do polvo são tão avançados que os fabricantes de câmeras usaram seus olhos como modelo para melhorar as lentes das câmeras. Até recentemente, devido à curva das lentes de uma câmera, a imagem freqüentemente embaçava as extremidades. Para corrigir isso, modelos melhores de câmera sempre continham até oito lentes, que eram grandes e caras. Ainda copiando a estrutura do olho do polvo, que tem várias camadas finas de múltiplas densidades para misturar e focalizar a luz, os fabricantes de câmeras foram capazes de criar uma lente de câmera que pode produzir uma imagem clara - e a câmera é mais barata e menor [fonte: Helm].

Além disso, o cérebro de um polvo é proporcionalmente tão grande quanto os cérebros de pássaros e mamíferos. Isso demonstra um alto nível de organização para fazer coisas como coordenar todas as mudanças de cores dos cromatóforos. O cérebro é apenas parte da matéria. Três quintos dos nervos dos polvos estão distribuídos ao longo de seus oito tentáculos [fonte: Mather].

Os tentáculos do polvo são incrivelmente fortes e flexíveis. Formado quase totalmente por músculos, os tentáculos possuem força para lutar com tubarões. E sem estes incômodos ossos e juntas (como os nossos) para limitar movimentos, os tentáculos têm uma grande abrangência de movimento. E mais, o polvo pode até mesmo imitar um braço humano tornando seus tentáculos semi-rígidos e curvando-os nos lugares precisos.

close-up of octopus arm
John Giustina/Getty images
Zoom do tentáculo e das ventosas do polvo

Além disso, recente pesquisa sugere que esses tentáculos podem ter vontade própria. Estudos indicam que os tentáculos do polvo têm sistema nervoso independente [fonte: Mayell (em inglês)]. Isso revela que o cérebro pode simplesmente delegar ordens, enquanto o tentáculo é responsável por decidir exatamente como executar a ordem. Isso significa que o cérebro pode dar uma rápida tarefa ao tentáculo e então não ter mais que pensar sobre aquilo. Cientistas testaram essa hipótese separando nervos dos tentáculos de outros nervos do corpo e do cérebro e depois fazendo cócegas nos tentáculos. Surpreendentemente, os tentáculos responderam às cócegas exatamente como fariam em um polvo saudável [fonte: Pickrell].

Técnicos observam o polvo

Um bom número de pessoas no mundo da tecnologia tem seus olhos voltados para o polvo. Alguns programadores de computador, por exemplo, estão interessados no processamento descentralizado que acontece entre os tentáculos e o cérebro do polvo. O fato de um centro de controle básico não ser necessário para fazer funcionar uma rede complexa poderia levá-los a novos desenvolvimentos na tecnologia [fonte: Roach, "Octopus Arms…" (em inglês)].

Engenheiros de robótica também estão interessados nos tentáculos, mas por uma razão diferente. Eles acreditam que o tentáculo do polvo fornece um bom modelo para criar um braço robótico forte, mas flexível. Tal braço seria extremamente útil em cirurgias delicadas ou em buscas imprevisíveis e situações de resgate [fonte: Mayell (em inglês)].

Os polvos usam seus membros para tudo: da caça ao acasalamento. E você sabia que os polvos aparentemente letárgicos podem, na realidade, atingir velocidades de 40 km/h? Exploraremos esses fatos interessantes nas próximas seções.