As defesas do polvo: causando vergonha a Houdini

O toque secreto no talento do polvo para a mudança de cor são os cromatóforos. Essas células pigmentadas contêm, cada uma, três bolsas de cor e dezenas de milhares delas cobrem a pele do polvo. Cada cromatóforo é cercado por músculos que mudam a forma como o pigmento é mostrado, relaxado ou contraído. Uma publicação do instituto Smithsonian compara o fenômeno a uma gota de tinta sobre uma faixa de elástico: quando a faixa está solta, a cor é concentrada em um ponto e não é prontamente visível. Mas quando a faixa é esticada, a cor se propaga [fonte: Smithsonian National Zoological Park (em inglês)].

Cada cromatóforo é independentemente controlado pelo sistema nervoso, o que permite um alto grau de complexidade na exibição de cores. O alto nível de controle pelo sistema nervoso também significa que a mudança de cor se espalha na pele num instante - um polvo pode mudar sua aparência em menos de um segundo. Células reflexivas na pele, chamadas iridóforos, acentuam ainda mais as impressionantes mudanças de cor, espelhando as cores do ambiente circundante. Projeções na pele, chamadas papilas, ajudam no disfarce, mudando texturas para se misturar mais rapidamente com substâncias como o coral ou a areia.

octopus hiding in sand
Wolcott Henry/Getty images
Você precisa olhar muito de perto para ver essa
camuflagem do polvo na areia

Além de confundir os predadores por meio da mudança de cor e de textura, o polvo tem uma arma secreta: tinta. Uma bolsa de tinta está localizada próxima ao seu sistema digestivo e, quando necessário, o polvo pode ejetar tinta para fora da bolsa junto com uma rajada de água a partir do funil. A combinação cria uma nuvem negra. O polvo pode soltar a tinta em pequenas bolhas que servem como iscas, ou pode soltá-la em uma grande massa para encobrir uma fuga rápida. Para completar, a tinta contém tirosinase, um composto que prejudica o olfato e o paladar, o que confunde ainda mais o predador.

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Norbert Wu/­Getty Images
A mãe polvo chocando ovos em um pedaço de garrafa, espirrando a nuvem de tinta como defesa

É necessário um grande cérebro e um sofisticado sistema nervoso para seguir o caminho de milhares de cromatóforos e de jatos de tinta. Continue lendo para aprender sobre os sistemas que tornam isso tudo possível.

Imitador

Se o polvo é o rei da camuflagem, o polvo marrom é o rei dos reis. Um mímico extremamente talentoso, essa espécie particular pode imitar o linguado, o peixe leão e as cobras marinhas, com uma precisão impressionante. O polvo marrom muda suas cores para alcançar as cores da outra espécie e contorce seus tentáculos para conseguir determinados modelos e formas. A pesquisa mostra que o polvo pode até mesmo decidir que tipo de animal imitar, dependendo do predador. Quando confrontado com o predatório peixe-donzela, por exemplo, o polvo assume a aparência do inimigo comum àquele peixe, a cobra marinha [fonte: Smithsonian National Zoological Park (em inglês)].