Doenças transmitidas pelos piolhos

Autor: 
Alexandre Indriunas

A infestação por piolhos é denominada pediculose, desse modo temos a pediculose do couro cabeludo e a do corpo, porém quando a infestação é por “chato” ela é denominada pitiríase, ftiríase, pitirose ou fitirose.

Em relação ao piolho do couro cabeludo, a coceira (prurido) e irritação da pele, principalmente na nuca e atrás da orelha, são o primeiro problema e principal sintoma da infestação. A partir daí surgem as conseqüências: irritação, nervosismo e falta de concentração acabam surgindo nas crianças, causando diminuição do rendimento escolar e, mais raramente, problemas infecciosos ou anemia.

As crianças coçam constantemente a cabeça e ao fazerem arranham, abrindo uma porta de entrada para microorganismos podendo gerar infecções, muitas vezes necessitando de um tratamento específico e mais demorado. Há relatos de postura de ovos e crescimento de larvas de mosquitos em feridas originadas deste processo, mas felizmente são casos raros, atingindo principalmente a população mais carente, e quem sofrer do problema pode ter também com a anemia. Uma dieta pobre, aliada à constante hematofagia dos piolhos pode levar uma criança a um quadro anêmico.

Mas por que falamos sempre de crianças? Adultos não podem ter piolhos? É claro que sim. Esses insetos não escolhem idade, sexo ou classe social, porém seu modo de transmissão explica o porquê delas serem as mais atingidas.

Como dissemos os piolhos não voam, nem pulam, eles necessitam de contato íntimo de uma cabeça infestada com a de outro futuro hospedeiro para passarem. O convívio em escolas e creches, as brincadeiras e constante contato físico favorecem o deslocamento. E embora não seja unânime entre os pesquisadores, acredita-se que fômites, como pentes, escovas, bonés, fronhas, venham a ser outra importante via de transmissão. E nada como grandes grupos de crianças brincando juntas para que isso ocorra.

As lêndeas pouco provavelmente poderiam passar do cabelo de uma pessoa a outra, porém as ninfas e os adultos podem facilmente, e estudos apontam que os piolhos podem passar até 2 a 3 dias sem se alimentar.

Já o piolho do corpo tem algumas características próprias, pois seus ovos são postos nos fios das roupas, incluindo a roupa de cama. Eles  necessitam do calor do corpo para sua maturação e eclosão, assim a troca de roupas infestadas entre as pessoas pode ser um mecanismo de transmissão. A maior prevalência encontra-se nos países frios e nas populações marginalizadas, pois a troca de roupa é bem menos freqüente.

Embora na grande maioria dos países, ele não seja considerado um problema de saúde pública, o piolho do corpo já foi responsável por muitas mortes no passado. Ele é o vetor da febre recorrente (causada por Borrelia recurrentis) transmitida pelo esmagamento dos insetos entre os dedos ou dentes, da febre das trincheiras (por Bartonella quintana) transmitida pela picada e pelas fezes e do tifo epidêmico (por Rickettsia prowazekii) também transmitida pelo esmagamento.

O “chato”  habita os pelos da região genital e perianal, e seu modo de transmissão se dá principalmente pelo contato sexual. O ciclo de vida e o os sintomas são muito semelhantes ao do piolho do couro cabeludo, porém na região pubiana. O “chato” pode ser encontrado nos pelos das coxas, axilas, sobrancelhas e barba, podendo até, em casos maciços de infestação, na cabeça.

Além de tudo isso, os piolhos têm um grande aliado: a vergonha.