O que ameaça os pingüins?

Das 17 espécies de pingüins existentes três aparecem na lista internacional de espécies ameaçadas da União para Conservação Mundial (IUCN), porque suas áreas de ocorrência são restritas e suas populações tiveram redução de mais de 50% nos últimos anos. O pingüim-de-Galápagos é o mais ameaçado pois a sua área de ocorrência é bem pequena (menor que 500 km2 em apenas cinco áreas de ocorrência) e sua população é de cerca de 1.200 indivíduos. A sua probabilidade de extinção é superior a 10% e poderá ocorrer nos próximos 100 anos.

As principais causas da redução das populações dos pingüins são:

  • Pesca predatória - esta atividade reduz a quantidade de peixes disponíveis para alimentação dos pingüins. Com menos alimento disponível os adultos, na época da reprodução, têm que se afastar mais das pingüineiras para caçar e ficam mais expostos à predadores e outros perigo no mar. Nadando distâncias maiores gastam mais energia e demoram mais para voltar com comida para os filhotes. Isto pode reduzir o crescimento dos filhotes e também o número de sobreviventes no final da reprodução.

  • Poluição do ambiente marinho - pode afetar os pingüins de maneira direta ou indireta. Os derrames de óleos nas proximidades das áreas de reprodução e de migração são extremamente agressivos para os pingüins e outras aves. Quando os pingüins se sujam de óleo suas penas perdem a impermeabilidade e o pingüim não consegue mais se manter aquecido. O óleo gruda nas penas e os animais não conseguem se limpar. A grande maioria morre, pois eles não podem mergulhar para se alimentar e nem conseguem manter-se aquecidos. Poluição por produtos químicos como, por exemplo, inseticidas (poluentes orgânicos persistentes) e metais pesados também podem atingir os pingüins mesmo em ambientes bem remotos. Isto porque os pingüins se alimentam de peixes e são topo de cadeia alimentar. Os níveis de concentração de metais pesados são maiores nos pingüins do que nos peixes (imagine quantos peixes contaminados um pingüim pode comer?). Os contaminantes se acumulam na gordura e dificilmente são eliminados. Altas concentrações de mercúrio, por exemplo, podem fazer com que o ovo produzido pelas fêmeas não seja resistente, tenha a casa muito fina e por isso quebre com facilidade.
  • Perda de habitat e alterações no clima - Em algumas regiões a perda de habitat ocorre diretamente pela ocupação humana, em outras as alterações no clima podem mudar as características do ambiente (reduzir a camada de gelo, manter áreas cobertas de neve por mais tempo, aumentar a quantidade de chuva ou reduzir populações de espécies que são consumidas pelos pingüins) ocasionando sempre a redução das populações desta ave. O “El Ninõ” é a principal ameaça para os pingüins de regiões mais tropicais como para o de Galápagos. Este evento climático ocasiona, entre outras coisas, a redução das quantidades de peixes disponíveis para serem consumidos. Qualquer alteração no ambiente marinho e/ou terrestre pode prejudicar, não só as espécies de pingüins, mas o equilíbrio geral do ambiente.

Pingüins amigos da
estação Comandante Ferraz


Na Baia do Almirantado onde está a Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) existem 13 espécies de aves que fazem seus ninhos. Entre elas, três são espécies de pingüins: pingüim-de-adélia (Pygoscelis adeliae), pingüim-antártico (Pygoscelis antarctica) e pingüim-papua (Pygoscelis papua).
Em áreas habitadas pelo homem o que mais ameaça os pingüins são as alterações provocadas diretamente no ambiente, principalmente a ocupação dos territórios. A EACF não está próxima das colônias de pingüim e os pesquisadores e militares brasileiros dificilmente chegam perto das pingüineiras. A visita de indivíduos jovens que não começaram a se reproduzir é constante na proximidade da nossa estação. Além disto, alguns indivíduos fazem muda (troca de pena) bem perto da EACF. Curiosamente, alguns utilizam até mesmo o Heliponto da estação para se proteger do vento e de nevascas enquanto estão sem proteção das penas.

Pingüim na estação Comandante Ferraz
Erli Costa/2005
Pingüim-antártico na estação Comandante Ferraz

Outras estações como a polonesa e norte-americana ficam bem perto dos ninhos destas aves, porém os pesquisadores são muito conscientes e não interferem na vida dos pingüins, limitando-se a se aproximar das colônias para atividades de pesquisa.

Apesar de nenhuma das três espécies de pingüins que ocorrem na baia estarem na lista de espécies ameaçadas os pesquisadores já registraram alterações no número de indivíduos que se reproduzem ali. De cerca de 100 mil pingüins registrados no passado hoje existem menos de 25 mil: uma redução de 75% na população das pinguineiras na região. Ainda estão sendo feito estudos para entender o que está acontecendo com estes pingüins, mas alterações no clima e conseqüente perda de habitat e redução na quantidade de alimento disponível estão entre as principais causas apontadas pelos cientistas.