Comportamento - reprodução
Os pingüins são
aves sociais que podem formar imensas colônias de reprodução, com até 1,5 mil indivíduos, conhecidas como
pingüineiras. Grandes colônias servem como defesa uma vez que os pingüins que ficam no interior da colônia estão menos expostos a predadores que comem seus ovos e filhotes e também mais protegidos de nevascas. Geralmente pingüins mais experientes ocupam o interior das colônias e os mais jovens a periferia. Os períodos de reprodução variam entre as espécies de acordo com a região em que elas vivem.
A maioria das espécies é
monogâmica (um macho se reproduz com uma única fêmea durante o período reprodutivo). Todavia, em alguns casos podem existir copulações extra-par (para quem pensava que só seres humanos tinham amantes!) em que o macho pode ficar com até duas fêmeas e a fêmea com até três machos quando o companheiro se afasta. Mesmo nestes casos é o
companheiro “oficial” que auxilia chocando ovos, cuidando e alimentando os filhotes e defendendo o território. Os indivíduos sempre retornam para a mesma área de reprodução e muitas vezes eles reencontram o mesmo parceiro de anos anteriores. Alguns estudos indicam que o pingüim-de-adélia reencontra o mesmo par no ano seguinte em 62% das vezes, o pingüim-antártico em 82% e o pingüim-papua em 90% das vezes.
 Erli Costa Pingüim-antártico no ninho. As pedrinhas soltas em volta servem como limite.
|
O tipo de ninho também varia de espécie para espécie. As três espécies citadas acima fazem seus ninhos sobre o chão, delimitando o ninho com vários pedregulhos colocados ao redor. Curiosamente, para estas espécies é usando pequenos pedregulhos que o
macho conquista sua fêmea: ele fica na área do ninho segurando a
“pedrinha” com o bico e oferece para a fêmea. Se ela aceitar, pronto, estão casados. É como se fosse uma troca de alianças entre os noivos. Além disto, a corte acontece através da emissão de sons pelo macho e/ou pela fêmea acompanhados de diferentes posturas do corpo. Esticar o pescoço virando a cabeça, abrir as aletas e emitir sons permitem que a fêmea avalie e escolha o macho. É desta maneira também que o macho avisa a outro macho que aquele lugar está ocupado e que eles devem procurar outra área para fazer o ninho. Os ninhos são eqüidistantes, ou seja, a distância entre eles é a mesma, cada um respeita o território do vizinho ou então pode levar uma bicada.
 Erli Costa Colônia de pingüim-antártico
|
Já o pingüim-de-Magalhães faz seu ninho dentro de tocas, seus ovos e filhotes ficam bem protegidos. O pingüim-imperador, que nidifica sobre o gelo no Continente Antártico não tem ninho: o macho choca o ovo em cima dos pés e não deixa cair nunca – quando isto acontece a perda do ovo é inevitável. Aliás, nesta espécie é o macho que choca o ovo o tempo todo: a fêmea, depois da postura, migra atrás de alimento e deixa o ovo com o macho. Quando a fêmea retorna para a área de nidificação (do ninho) o filhote já nasceu, então ela passa a tomar conta do filhote e o macho é quem migra.
Todos os adultos têm na barriga uma “placa de choco”. Trata-se de uma área sem penas que fica em contato com o ovo para mantê-lo mais aquecido e protegido.
 Erli Costa Pingüim-papua alimenta seu filhote
|
Os
filhotes nascem recobertos por penugens e lembram bichos de pelúcia. Eles nascem
famintos, comem muito e crescem rápido – os pingüins de regiões da Antártica têm que crescer antes de o inverno chegar. Os adultos alimentam os filhotes colocando a comida diretamente dentro do bico, sem deixar cair no chão para não perder o alimento. O filhote pede comida batendo com o bico no bico do adulto.
Depois da reprodução, adultos e filhotes precisam trocar as penas, processo chamado de “muda”. Os adultos trocam as penas velhas e gastas por penas novas e resistentes enquanto os filhotes trocam as penugens por penas à prova de água de verdade. Durante este processo os pingüins não podem entrar na água, pois estão sem proteção, então eles ficam sem se alimentar. Procuram um lugar protegido e ficam ali entre 10 a 30 dias, dependendo da espécie. Curiosamente, algumas espécies de pinguins fazem verdadeiras creches: os filhotes ficam agrupados numa mesma área trocando as penas e sendo vigiados por adultos que não reproduziram naquele ano.
 Erli Costa Pingüim-antártico trocando as penas
|
As espécies que vivem nas regiões mais frias migram durante o inverno para fugir do frio e para encontrar comida. A migração ocorre sempre depois da reprodução, quando os filhotes já cresceram e estão prontos para acompanhar os adultos. Algumas espécies podem ser encontradas no litoral dos países do Hemisfério Sul, como é o caso do Pinguim-de-Magalhães que é comumente encontrado no litoral do Brasil. Vale ressaltar que os pingüins preferem o ambiente marinho e quando vem para o litoral estão com algum problema: perdidos, fracos por não terem encontrado alimentos ou até mesmo doentes.
 Erli Costa Filhotes de pingüins-papua e de-adélia. O primeiro (esquerda) ainda não trocou as penas. No segundo, falta trocar as da cabeça.
|