Quem são os pingüins?
Da ordem Sphenisciformes, família Spheniscidae todas as espécies de pingüins vivem no Hemisfério Sul. São aves marinhas não voadoras que não se deslocam muito bem em terra, mas têm uma agilidade impressionante na água.
Estas aves têm as asas transformadas em aletas (que funcionam como verdadeiros “remos”), o corpo fusiforme (tente imaginar um submarino) e as patas palmadas (com membranas entre os dedos), características que fazem dos pingüins verdadeiros “campeões olímpicos” em natação e mergulho.
O pingüim-imperador – recordista em mergulho – pode permanecer em baixo da água por 22 minutos e atingir profundidades de até 630 metros, mas a maioria das espécies prefere mergulhos rápidos de até 5 minutos. Muitas espécies de pingüins chegam a ficar 75% de suas vidas no mar, se deslocando e se alimentando, saindo da água para se reproduzir ou descansar. Durante o período de migrações, os pingüins ficam em alto mar, mergulham, vem a superfície para respirar, bóiam para descansar e nadam bastante. Os pingüins vivem cerca de 15 a 20 anos e alguns poucos conseguem sobreviver além desta idade.
Espécies e Distribuição
 Erli Costa O Pingüim-de-adélia
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Quando pensamos em pingüins automaticamente somos remetidos à Antártica: um ambiente extremamente inóspito, coberto de muito gelo e neve, extremamente frio. Apesar desta imagem, curiosamente, das
17 espécies de pingüins que existem no mundo apenas seis se reproduzem no continente e/ou na península antártica: pingüim-imperador (
Aptenodytes forsteri), pingüim-de-adélia (
P. adeliae), pingüim-antártico (
Pygoscelis antarctica), pingüim-papua (
P. papua) e pingüim-de-testa-alaranjada (
Eudyptes chrysolophus). As outras espécies ocorrem mais para o norte e uma delas exclusivamente nas
Ilhas Galápagos, bem próximo da linha do Equador (ou seja, num ambiente extremamente quente): é o pingüim-das-Galápagos (
Spheniscus mendiculus). Nenhuma das espécies se reproduz no Hemisfério norte, ou seja, os pingüins são exclusivos do Hemisfério Sul, ocorrendo sempre abaixo da linha do Equador. Geralmente os pingüins vivem em ilhas ou em regiões remotas dos continentes.
A
maior das espécies é o pingüim imperador (
Aptenodytes forstery) medindo até 112 cm de altura e pesando até 41 Kg.
O menor, pingüim-pigmeu (
Eudyptula minor), não passa dos 41 cm e pesa no máximo 1 Kg. Mais detalhes das outras espécies na tabela abaixo.
| Nome científico |
Tamanho
(cm)1 |
Peso
(Kg)1 |
População estimada
(indivíduos)1 |
Status2 |
| Aptenodytes forsteri |
112 |
27 a 41 |
270 mil a 350 mil |
NA |
| Aptenodytes patagonicus |
94 |
13,5 a 16 |
2 milhões |
NA |
| Pygoscelis adeliae |
46 a 61 |
3,5 a 4,5 |
4 milhões a 5,2 milhões |
NA |
| Pygoscelis papua |
61 a 76 |
5,5 a 6,5 |
630 mil |
QA |
| Pygoscelis antarctica |
46 a 61 |
4 |
8 milhões |
NA |
| Eudyptes chrysocome |
41 a 46 |
2,5 |
7,34 milhões |
V |
| Eudyptes schlegeli |
66 a 76 |
5,5 |
1,7 milhões |
V |
| Eudyptes sclateri |
64 |
2,5 a 3,5 |
154 mil a 170 mil |
A |
| Eudyptes chrysolophus |
51 a 61 |
4,5 |
18 milhões |
V |
| Eudyptes pachyrhynchus |
61 |
2,5 a 3 |
5 mil a 6 mil |
V |
| Eudyptes robustus |
64 |
2,5 a 3 |
46,5 mil |
V |
| Megadyptes antipodes |
76 |
6 |
4,84 mil |
A |
| Spheniscus magellanicus |
61 a 71 |
5 |
2,6 milhões |
QA |
| Spheniscus demersus |
61 a 71 |
3 |
180 mil |
V |
| Eudyptula minor |
41 |
1 |
350 mil a 600 mil |
NA |
| Spheniscus humboldti |
56 a 66 |
4 |
3,3 mil a 12 mil |
V |
| Spheniscus mendiculus |
53 |
2,5 |
1,2 mil |
A |
1. De acordo com www.seaworld.org.
2. De acordo com IUCN (www.iucn.org – red list).
NA = Não ameaçado, V = Vulnerável, QA = Quase ameaçado, A = Ameaçada. |
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Que pingüins visitam o Brasil?
Durante o inverno no Brasil a todo instante, a mídia (TV e jornais) divulga a presença de pingüins no litoral brasileiro. Pingüins no Brasil, um país com clima tropical? Bom, como vimos anteriormente nem todos os pingüins vivem na Antártica, com muita neve e gelo no seu habitat, alguns até vivem em locais bem quentes, próximo do Equador. Durante o inverno no Hemisfério Sul os pingüins que vivem em regiões muito frias migram, procurando alimento em águas mais quentes. Durante o deslocamento seguindo as correntes marinhas os pingüins podem se perder do grupo maior (geralmente jovens que nasceram naquele ano ou então adultos cansados ou doentes) e vir parar no nosso litoral. Geralmente eles ocorrem em maior quantidade no litoral do Rio Grande do Sul, podendo chegar ao Rio de Janeiro e, até mesmo no litoral baiano (mais raramente). Eles estão cansados, com frio e desnutridos. Existem pessoas especializadas que podem auxiliar estes animais, o melhor a fazer é não mexer com eles e chamar a polícia ambiental ou a defesa civil de sua cidade para pedir ajuda. Nunca coloque o pingüim no gelo. Até porque, quando eles chegam sujos de óleo, esses pingüins estão passando frio, já que seu regulador térmico está, digamos, com defeito.
 Centro de Recuperação de Animais Marinhos da UFRG Pingüins sujos de óleo em recuperação no Rio Grande do Sul
| O pingüim mais comumente encontrado no litoral brasileiro é o pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) que se reproduz no litoral da Argentina e do Chile e nas Ilhas Falklands (perto destes dois países).
Outras três espécies já foram registradas no litoral brasileiro, principalmente no Rio Grande do Sul: pingüim-rei - Aptenodytes patagonicus, pingüim-de-penacho-amarelo - Eudyptes chrysocome e o pingüim-de-testa-alaranjada – E. chrysolophus. A ocorrência destes animais no nosso litoral é rara e resulta em registros muito importantes cientificamente uma vez que podem ampliar a área de ocorrência destas espécies.
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