Grandes Lagostas e vida eterna

A maioria das pessoas aceita o declínio como parte da velhice, mesmo aquelas que ainda buscam a fonte da juventude. Esperamos o mesmo para nossos animais de estimação e moscas que zumbem ao nosso redor, embora em uma proporção diferente. Então por que as lagostas são diferentes? Um estudo feito em 1998 mostrou que as lagostas mantêm ativação de telomerase na fase tardia da vida. Mas antes que possamos explicar esse fato, vamos falar brevemente sobre divisão celular.

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Os telômeros são estruturas que
protegem os cromossomos de danos

Os telômeros são como capas ou coberturas que abrigam as extremidades dos cromossomos (em inglês). Quando as células se dividem, os telômeros diminuem. Quando os telômeros atingem um certo comprimento, não podem mais proteger os cromossomos e os cromossomos começam a sofrer danos. O número de divisões celulares antes do dano acontecer é chamado de limite de Hayflick.

A telomerase é uma enzima (em inglês) que dá comprimento aos telômeros, estendendo sua expectativa de vida. Em humanos, a telomerase é abundante em células da medula embriônica e então declina no decorrer da vida. Isso, na verdade, é uma coisa boa, porque quando as células reativam a telomerase após atingirem o limite de Hayflick, elas se tornam cancerosas (em outras palavras, elas não morrem quando deveriam). O lado negativo é que as células com telômeros curtos enfraquecem e morrem, então nós eventualmente morremos, também.

Em humanos, os níveis de telomerase caem no final da vida e só são encontrados em alguns tipos de tecidos, mas nas lagostas a telomerase é encontrada em todos os tipos de tecido. Isso provavelmente contribui para a habilidade que as lagostas têm para crescer no decorrer das suas vidas. E já que os esqueletos das lagostas ficam na parte externa e o processo de troca de pele permite que elas troquem seus exoesqueletos periodicamente por um esqueleto novo e maior, seu crescimento constante não é um problema. Com um fornecimento de telomerase direto e distribuído igualmente, as lagostas não se aproximam do limite de Hayflick, o que significa que suas células permanecem primitivas, jovens e se dividindo.

O papel duplo da telormerase de manter as células saudáveis e contribuir para o crescimento do câncer significa que esta é uma importante área de pesquisa para tratamentos anti-envelhecimento e contra o câncer. Outros estudos sobre as lagostas podem nos ensinar mais sobre longevidade, quanto tempo elas podem viver realmente e como esse conhecimento pode contribuir para a saúde dos humanos.

Os cientistas também estão estudando vários outros animais que também têm uma vida longa. Como as lagostas, muitos tipos de tartarugas não mostram imunidade comprometida ou colapso físico devido à idade. Elas também se tornam mais férteis com a idade e normalmente morrem devido a um predador ou uma doença sem relação com a idade.

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As tartarugas e outras criaturas que vivem muito são
objetos de muitas pesquisas científicas.

Um pássaro que cabe na mão de um humano, conhecido como painho de cauda bifurcada, vive mais de 30 anos. Também são os únicos animais cujos telômeros crescem com a idade. Espécies animais relacionadas com diferentes expectativas de vida também são despertam interesse. Camundongos comuns vivem apenas três anos, mas os ratos-toupeira pelados podem viver até 28.

Outros animais estudados são baleias, morcegos, peixes-pedra, peixes-zebra e vôngoles, o mais velho deles, um vôngole vieira, viveu até os 220 anos de idade. Na maioria desses animais, a taxa de deterioração de telômeros corresponde à sua expectativa de vida. Quanto mais os telômeros duram, mais os animais vivem. Estudar essas criaturas pode nos dizer algo sobre o envelhecimento humano e ajudar no desenvolvimento de tratamentos para doenças relacionadas à idade. Uma pesquisa interessante está sendo conduzida em muitos locais - sobre os níveis moleculares e genéticos e com relação ao estilo de vida, dieta e habitat. Se um dia os humanos descobrirem um novo e importante tratamento contra o câncer, pode ser graças a uma dessas criaturas - ou uma lagosta de 100 quilos vivendo pacificamente em um tanque da Universidade de Boston.

Para mais informações sobre lagostas e envelhecimento, e para ouvir uma música sobre Leroy, a Lagosta Imortal, por favor verifique os links na próxima página.