A camada de ozônio

A camada de ozônio corresponde à região da atmosfera onde há maior concentração de moléculas de ozônio – cerca de 10 ppmv (partes por milhão em volume). Ela situa-se na estratosfera, região da atmosfera situada entre 15 e 50 kms de altitude. Nela, a concentração de ozônio chega a 10 ppmv, servindo como um gigantesco “filtro solar” natural. Embora tenha todo este poder de bloquear a radiação UV é uma camada muito rarefeita e se for colocada ao nível do mar, a uma temperatura de 0°C, ela ficará com apenas 3 mm de espessura.

A camada de ozônio é estudada continuamente desde 1956 por instrumentos de solo e mais recentemente por satélite. No final da década 1970 descobriu-se uma queda acentuada no ozônio estratosférico na região Antártica, entre as latitudes 60°S e 90°S, durante a primavera austral. O fenômeno é conhecido como “buraco de ozônio”. Estudos mostraram um decréscimo da camada de ozônio em todas as latitudes.

Esta queda persiste até os dias de hoje e tem ocorrido devido a injeção de compostos de cloro, como os clorofluorcabonetos (também chamados de CFC's), os quais, ao atingirem a estratosfera, liberam o átomo de cloro que destrói de forma catalítica as moléculas de ozônio. Esta descoberta levou ao estabelecimento do Protocolo de Montreal, iniciado em 1987, o qual impôs o fim da produção e comercialização dos principais CFCs.

Observações realizadas tanto por satélites como por equipamentos de solo (IPCC, 2001) mostraram que ainda existe um decréscimo do conteúdo total de ozônio de cerca de 4% por década para o Hemisfério Norte, e 6% para o Hemisfério Sul. E isto tem acarretado uma forte variação na quantidade de radiação UV que chega a superfície.

O buraco da camada de ozônio está crescendo?

O grupo de pesquisa do Laboratório de Ozônio do INPE estuda a camada de ozônio no Brasil desde 1974, e na Antártica, sul do Chile e Bolívia desde 1990, usando instrumentos de solo e medidas da concentração com sondas em balão.

Ainda é muito grande a destruição do ozônio na região antártica e já chega até a América do Sul. Em 2003, por exemplo, foi medida uma destruição de 65 % da camada sobre a região da Estação Antártica Brasileira Comte. Ferraz (62°S; 58°W), causando um aumento de 400% na radiação UV no período. Isto mostra que ainda existe muito gás CFCs na atmosfera. Em 2006, o buraco alcançou um novo recorde em tamanho com uma dimensão máxima de 29,5 milhões de km­2­ atingindo o sul do Chile, Argentina e Uruguai. A borda do buraco produziu efeitos secundários no sul do Brasil, transferindo ozônio da região, em torno, para dentro do buraco. Agora em 2007 o buraco foi 16% menor, mas ainda foi bastante ativo mostrando que ainda existe muito gás na alta atmosfera polar. As previsões teóricas indicam que a camada voltará ao normal no ano de 2060, se nenhum fato novo ocorrer.


A figura 4 mostra o aumento da radiação UV, decorrente da diminuição da camada de ozônio, neste mesmo período.



Figura 4 – Percentual da variação diária do índice da radiação UV e do ozônio, em Comte. Ferraz, durante a passagem do o “ buraco de ozônio”, em 2003.


O Brasil é a quinta nação que mais diminuiu o uso dos CFC's (clorofluorcarbonos) e outros gases na última década, sob influência do Protocolo de Montreal, documento que completa 20 anos em 2007 e que definiu metas para redução de gases que destroem a camada de ozônio do planeta. Entre 1995 e 2005, o país cortou suas emissões dos principais agentes de destruição do ozônio (Potencial Destruidor de Ozônio, unidade usada para medir os possíveis danos à camada de ozônio).

Veja os resultados obtidos pelo governo brasileiro em 2007:
  • 82,8% de eliminação de CFCs;

  • 88% de eliminação de halons, usados em extintores de incêndio

  • 77,3% de eliminação de tetracloreto de carbono, usado na industria química como agente de processo;

  • 76,3% de eliminação de brometo de metila, usado principalmente na agricultura;

  • 100% da fabricação de ar condicionado automotivo não utiliza os CFC's, desde 1999;

  • 100% da refrigeração doméstica é isenta de CFC's atualmente;

  • O consumo de CFCs caiu de 10.525 toneladas (média dos anos 1995 -1997) para 478 toneladas em 2006.


Outra ação muito eficaz resultado da parceria do Governo e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), resultou em uma legislação nacional através do CONAMA 267 (Conselho Nacional do Meio Ambiente), em 2000, determinou no Artigo 7° o recolhimento, acondicionamento e envio dos gases CFC's para reciclagem, evitando que o armazenamento e o escape acidental destes gases para a atmosfera. Um plano nacional envolvendo o Ministério do Meio Ambiente, FIESP, SENAI e empresas foi implementado para formar pessoal capacitado para trabalhar nos centros de reciclagem. Atualmente o Brasil conta com 10 estados participando do Programa, 3 Centrais de Regeneração de CFCs, em São Paulo e Rio de Janeiro,739 máquinas que recolhem os CFCs e 335 máquinas recicladoras ((fonte: palestra Ruy Góes ( SEMUC/MMA), 2007).