Oppenheimer: a caminhada até o Projeto Manhattan

Julius Robert Oppenheimer nasceu em 22 de abril de 1904, em Nova York. Pertencente a uma família judia que fez fortuna na importação de têxteis, Oppenheimer estudou na Ethical Cultural School, onde revelou ser um aluno circunspecto, solitário e intelectualmente brilhante. Em 1922, foi estudar química em Harvard. Nessa época, além de mostrar sua superioridade acadêmica, escrevia poesia de vanguarda e pintava.

No terceiro ano em Harvard, graças à influência do professor Percy Bridgman (que ganharia o Prêmio Nobel por produzir os primeiros diamantes artificiais sob pressão), Oppenheimer descobriu que seu verdadeiro interesse estava na física. Após concluir sua graduação, ele foi para o Cavendish Laboratory, em Cambridge. Lá foi trabalhar com J.J. Thomson, descobridor do elétron. Mas seu trabalho no laboratório era inexpressivo e ele logo entrou em uma profunda crise emocional. Em uma consulta psiquiátrica foi diagnosticado com o que hoje classifica-se como esquizofrenia. Nesse momento tão delicado de sua vida, ele conheceu Paul Dirac, um jovem físico que viria a ser um dos mais importantes teóricos do século 20.

Dirac já trabalhava nos limites da teoria quântica. Ele apresentou uma teoria conhecida como álgebra quântica, que demonstrava que a mecânica quântica matricial de Werner Heisenberg e a ondulatória de Edwin Schrödinger – vistas pelos autores como teorias opostas – eram, na verdade, matematicamente equivalentes. Oppenheimer não estava em pé de igualdade com Dirac e começou uma preparação intensiva para entender os últimos progressos da teoria quântica. Suas discussões sobre o tema com Dirac o levaram a escrever uma série de artigos relacionados à estrutura atômica que chamaram a atenção. O resultado foi um convite para trabalhar em Göttingen com Max Born e outros gigantes da ciência, como Niels Bohr, Eisenberg e Fermi.

No período em Göttingen, Oppenheimer publicou vários artigos com importantes contribuições para a mecânica quântica. Após receber o seu PhD em 1927 e se encontrar com Wolfgang Pauli, o grande especialista suíço em teoria quântica, decidiu voltar aos Estados Unidos para ser professor na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Oppenheimer se destacou como professor e descobriu suas qualidades de liderança. Mas nem todos o viam assim. Para alguns, ele não passava de um notável diletante.

Em 1936, Oppenheimer se apaixonou por Jean Tatlock, uma atraente estudante de pós-graduação ligada ao Partido Comunista. O envolvimento com Jean o levaria a se engajar na política. Ele já havia percebido que não seria um físico genial como Dirac, mas tinha muito talento para liderar equipes de pesquisadores e tirar o melhor deles. Em 1937, Oppenheimer herdou uma fortuna do pai e parte dela ele usou para financiar organizações antifascistas. Em 1.º de setembro de 1939, enquanto a Alemanha nazista invadia a Polônia e iniciava a Segunda Guerra Mundial,  Oppenheimer em parceria com Hartland Snyder publicou o ensaio “Sobre o colapso gravitacional contínuo”, que descrevia o fenômeno que nos anos 60 seria nomeado como buraco negro.

Enquanto isso, o dinamarquês Niels Bohr descrevia em teoria a possibilidade da fissão nuclear. Possibilidade que se tornara real na Alemanha a partir dos experimentos do radioquímico alemão Otto Hahn e da austríaca Lise Meitner. Ao descobrir que a Alemanha nazista já sabia dessa possibilidade, o antinazista Bohr foi para os Estados Unidos e contou o fato a Albert Einstein que, por sua vez,  fez a notícia chegar até o presidente Roosevelt. Alarmado com a possibilidade dos nazistas construírem uma arma de destruição apocalíptica, o presidente norte-americano autorizou a criação do ultrasecreto Projeto Manhattan, do qual nem Einstein sabia da existência.

No início, o Projeto Manhattan foi desenvolvido em vários laboratórios e universidades pelos Estados Unidos para a produção do suprimento necessário. A transformação disso em uma bomba seria feita a partir da reunião das maiores mentes científicas em território norte-americano. Para liderar essa iniciativa, o governo encontrou em Oppenheimer todas as qualificações necessárias.