Proteção contra as ondas

Se o estudo MaxWave estiver correto e as ondas traiçoeiras forem muito mais comuns do que se imagina, isso significa que barcos que foram construídos para navegar no oceano apresentam mais perigos do que pensávamos? Pode ser. Navios e estruturas em alto-mar, como as plataformas petrolíferas, são construídos para suportar uma certa altura de ondas, a que for determinada como mais provável de o navio encontrar em sua vida útil. Poucos são construídos para suportar ondas de 30 metros. Além disso, a capacidade que o navio tem de suportar a força de uma onda traiçoeira depende muito do lastro, ou estabilidade. Se o navio tiver a quantidade correta de lastro e estiver navegando no nível adequado, será mais provável que ele consiga se endireitar depois de ter sido empurrado por uma onda [fonte: Smith, 233]. As leis internacionais de navegação atuais nem sempre consideram ondas traiçoeiras freqüentes quando se trata da construção e manutenção do navio. Isso não quer dizer, porém, que todos os navios sejam inseguros, já que talvez seria impossível construir um navio que suportasse qualquer onda.

As três irmãs
Uma onda traiçoeira nem sempre aparece sozinha. Um fenômeno muito conhecido pelos marinheiros é o "Três Irmãs". Depois que uma onda gigantesca passa, duas outras podem vir em seguida. Esse trio de ondas-monstro pode ser bastante devastador. A primeira onda pode desabilitar um navio e deixá-lo incapaz de manobrar para evitar ou resistir às ondas subseqüentes.

E não são apenas os navios e as estruturas em alto-mar que precisam se preocupar com as ondas traiçoeiras. Essas paredes de água podem apresentar um sério risco até mesmo para pessoas que não estão na água. A Marinha Norte-Americana expressou a preocupação de que os helicópteros de resgate da Guarda Costeira que se perderam no mar tenham sido atingidos por ondas traiçoeiras [fonte: U.S. Naval Institute]. Os litorais onde existe um declive pronunciado para o mar aberto próximo da margem podem ser perigosos para as pessoas que estão explorando as pedras. Sabe-se que ondas inesperadas arrastam pessoas para fora das pedras e a contracorrente (em inglês) as puxa para baixo e para longe.

Atualmente, é impossível prever uma onda traiçoeira. O MaxWave e o WaveAtlas podem, no entanto, mostrar aos cientistas e marinheiros as condições que causam as ondas traiçoeiras e também indicar as áreas onde elas acontecem com mais freqüência. Isso permite que as rotas de navegação levem em consideração as áreas particularmente perigosas quando as condições climáticas indicarem essas ondas. Evitar essas áreas poderia salvar centenas de vidas todo ano.

Ondas traiçoeiras X tsunami

Quando você pensa em ondas gigantescas, assustadoras e destrutivas, os tsunamis com certeza vêm à mente. Não confunda, porém, essas ondas gigantes com as traiçoeiras porque, apesar de as duas serem terríveis, são bastante diferentes. A maneira mais fácil de lembrar a diferença é por meio do que causa a "parede de água" e do lugar onde a destruição ocorre.

Os tsunamis costumam ser causados por terremotos submarinos, que disparam toneladas de rochas para cima com uma força tremenda. A energia dessa força é transferida para a água. Então, ao contrário de ondas normais que são causadas pela força do vento, a energia motriz de um tsunami se move por meio da água, e não em sua parte superior. Portanto, enquanto um tsunami se movimenta dentro do mar, com uma velocidade de 800 ou 960 quilômetros por hora, ele dificilmente pode ser visto sobre a superfície da água. Normalmente, um tsunami não tem mais do que 1 metro de altura. É claro, porém, que tudo isso muda quando ele chega próximo à linha costeira. É nesse momento que ele atinge uma altura assustadora e alcança sua forma mais conhecida e terrível.

As ondas traiçoeiras, como discutimos neste artigo, aparentemente surgem do nada e podem atingir alturas gigantescas dentro do mar, e não apenas próximo da costa.

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